Na Black Friday, o desconto forte vai para estoque parado, grade quebrada, outlet e produto sem reposição. Lançamento, linha nova, sob encomenda e item de alta procura ficam de fora. Aplique o desconto direto no produto, numa vitrine própria, e combine frete, brinde e desconto em vez de só aumentar o percentual.
Nos mensais de setembro e outubro, a Black Friday apareceu em quase toda reunião com cliente. E a pergunta raramente foi “quanto de desconto dar”. Foi “em quê dar desconto, e em quê não dar”, porque o dono da loja já viu o que acontece quando a Black vira liquidação geral: o faturamento do dia é bom, a margem do mês some e o cliente aprende a esperar novembro para comprar.
Este texto junta o que a gente decidiu com os clientes para a Black Friday de 2026 (27 de novembro): onde o desconto forte entra, o que fica de fora e como montar uma oferta que vende sem queimar margem nem marca. A preparação técnica da loja (site, estoque, atendimento, campanhas) está no guia de como preparar o e-commerce para a Black Friday. Aqui o assunto é a oferta.
Em quais produtos o desconto forte faz sentido?
Nos produtos em que ele resolve um problema seu, não só do cliente:
- Estoque parado. Produto que ocupa espaço e caixa há meses. Desconto aqui transforma estoque em dinheiro para comprar o que gira.
- Grade quebrada. Sobrou o P e o GG, sobrou uma cor. Fora da Black, essas peças vendem devagar e com esforço.
- Outlet. Coleção passada, modelo descontinuado, embalagem antiga.
- Produto sem reposição. Se você não vai comprar de novo, cada unidade que sobra em dezembro é custo.
O critério é simples: o desconto forte vai para o que você quer que saia. A conta de quanto dá para cortar sem vender no prejuízo começa na margem de contribuição de cada produto, não no percentual que o concorrente anunciou.
O que fica fora da Black Friday?
Tão importante quanto escolher o que entra:
| Tipo de produto | Entra na Black? | Por quê |
|---|---|---|
| Estoque parado, grade quebrada, outlet | Sim, com desconto forte | O desconto libera caixa e espaço |
| Produto sem reposição | Sim | Cada unidade que sobra vira custo |
| Linha regular de giro médio | Com desconto moderado, se a margem permitir | Pode entrar como apoio, sem ser o destaque |
| Item de alta procura | Não | Vende sem desconto; liquidar é deixar dinheiro na mesa |
| Lançamento e linha nova | Não | Desconto na estreia define o preço que o cliente vai esperar dali em diante |
| Produto sob encomenda | Não | O prazo de produção não aguenta o volume e o atraso vira reclamação |
As duas últimas linhas são as que protegem a marca. Se o lançamento de outubro aparece com 40% de desconto em novembro, quem pagou o preço cheio se sente enganado, e quem ainda não comprou entende que basta esperar. No sob encomenda, o problema é operacional: a Black traz pedido concentrado, e prazo de produção estourado em dezembro é o tipo de reclamação que fica pública.
Por que aplicar o desconto direto no produto, e não por cupom?
Nas lojas que acompanhamos, a recomendação para a Black foi a mesma: desconto aplicado direto no produto, com preço de/por visível, e uma vitrine própria de Black Friday.
- O cliente vê o preço final na vitrine. Não precisa lembrar de um código, nem descobrir no checkout que o cupom não vale para aquele item.
- O anúncio mostra o preço certo. No catálogo do Meta e no Google Shopping, o preço promocional cadastrado no produto aparece no próprio anúncio. O preço com cupom, não.
- Você controla o que acumula. Cupom de primeira compra, cupom de influenciador e cupom da Black somados no mesmo pedido é um dos jeitos mais comuns de vender no prejuízo sem perceber.
- A vitrine própria organiza a visita. Quem chega pelo anúncio de Black cai numa página só com o que está em oferta, em vez de procurar o selo de desconto no catálogo inteiro.
Cupom ainda tem lugar: numa ação para uma lista específica, como a lista VIP, em que você quer saber exatamente quem usou.
Frete, brinde ou desconto: o que vende mais?
As melhores campanhas de Black nas contas que acompanhamos não foram as de maior percentual. Foram as que combinaram as três coisas: um desconto real nos produtos escolhidos, frete grátis acima de um valor e um brinde. Cada um ataca uma objeção diferente.
| Benefício | O que resolve | Cuidado |
|---|---|---|
| Desconto no produto | Preço | Corta margem em todo pedido |
| Frete grátis acima de um valor | O susto no checkout e o ticket baixo | O valor mínimo precisa ficar acima do ticket médio atual |
| Brinde | Percepção de valor, sem mexer no preço | Precisa ter custo baixo e valor percebido alto |
| Valor fixo acima de um mínimo (R$ de desconto em compras acima de X) | Protege a margem dos pedidos pequenos | Pode parecer pouco em produto caro |
| Percentual | Fácil de entender e de comunicar | Em pedido grande, dá mais desconto do que precisava |
Sobre as duas últimas linhas, a gente não tem uma resposta fechada: valor fixo contra percentual é coisa para testar na sua loja, com o seu ticket. O frete costuma pesar mais do que o dono da loja imagina, e o efeito dele na conversão está detalhado em frete e conversão.
Como o giftback pode comer a margem na Black?
Esse risco apareceu nas conversas de preparação com clientes que usam giftback. Muitas vezes, o giftback (ou cashback) foi configurado meses antes, sem pensar na Black. Na semana da promoção, ele continua ativo e se soma ao desconto.
Num produto de ticket alto, a soma ainda deixa margem. Num produto barato, o pedido pode sair no prejuízo: desconto da Black, mais o crédito de giftback da compra anterior sendo usado, mais o frete grátis, mais a taxa do meio de pagamento.
O que conferir antes de novembro:
- Quais benefícios acumulam no mesmo pedido. Teste no checkout, com um pedido real de valor baixo.
- Se o giftback gerado na Black faz sentido. Talvez valha suspender a geração de crédito na semana da promoção, ou mudar a regra.
- Os produtos de ticket mais baixo. São eles que ficam negativos primeiro.
A lista VIP vale a pena?
Vale, e é uma das poucas ações de Black que protegem a marca em vez de desgastá-la. A lógica: quem já comprou ou se cadastrou recebe acesso antecipado à vitrine de Black, um dia ou algumas horas antes do público geral.
- O cliente fiel compra primeiro, com a grade cheia, e sente que teve um benefício real.
- Você testa a operação com volume menor antes do pico: checkout, estoque, entrega.
- A base vira um canal próprio. Venda que sai pelo WhatsApp e pelo e-mail da lista VIP não depende só da mídia paga, que fica mais cara na semana da Black.
A captação da lista começa em outubro, com anúncio e com a própria loja convidando quem já comprou.
E se a Black Friday nunca funcionou na sua loja?
Nem toda loja precisa entrar na disputa. Uma das lojas que acompanhamos tinha um histórico fraco na data. Para 2026, a decisão foi trocar a Black clássica por uma ação curta de outlet, com estoque parado, prazo definido e comunicação própria. Na semana da Black, o leilão de mídia fica mais disputado, e uma ação fora do pico concorre menos por atenção.
Faz sentido considerar o mesmo quando:
- A marca depende de preço cheio e o desconto amplo prejudica a percepção.
- O histórico da data não se paga, quando você compara o faturamento com o desconto dado e com o custo da mídia daquela semana.
- O estoque para liquidar é pequeno e não justifica uma vitrine de uma semana.
Como se preparar na prática?
O que a gente pediu aos clientes até o fim de outubro:
- Planilha de produtos. Cada item que entra na Black com preço atual, preço promocional e percentual de desconto. É a base para cadastrar a vitrine, conferir margem e montar o catálogo dos anúncios.
- Estoque garantido. Produto anunciado com desconto que esgota no primeiro dia frustra o cliente e queima verba de mídia.
- Substitutos dos itens com mais desconto. Se o destaque esgotar, qual produto parecido entra no lugar, no anúncio e na vitrine.
- Criativos por ordem de necessidade. Primeiro os da lista VIP e do esquenta, depois os da semana, depois os de última chamada. Criativo de última hora sai pior e atrasa a campanha.
- Regras de acúmulo conferidas. Cupom, giftback, desconto no Pix e frete grátis testados juntos num pedido real.
Na mídia, o método é o de sempre: subir a verba aos poucos, cerca de 20% por semana enquanto o retorno se sustenta, em vez de multiplicar o investimento no dia e jogar a campanha de volta para o aprendizado.
Para quem este texto não serve?
Para quem vende produto de margem muito baixa e só tem preço como argumento. Aí a Black é uma disputa de quem aguenta perder mais, e a conversa precisa começar pela precificação, não pela oferta.
E para quem procura um percentual mágico. O desconto certo é o que a sua margem permite no produto que você quer que saia, e isso só a sua planilha responde.
O que fica
Desconto forte vai para o que você quer que saia: estoque parado, grade quebrada, outlet e produto sem reposição. Lançamento, sob encomenda e item de alta procura ficam de fora.
Desconto direto no produto e vitrine própria. Frete, brinde e desconto combinados vendem melhor que um percentual maior. Confira o que acumula no checkout antes de novembro, monte a lista VIP e, se a data nunca funcionou para você, uma ação curta de outlet pode valer mais que a Black inteira.
O que fica
- Desconto forte só em estoque parado, grade quebrada, outlet e produto que não vai ser reposto. É ali que ele libera caixa em vez de tirar margem.
- Lançamento, linha nova, sob encomenda e item de alta procura ficam fora da liquidação. Eles vendem sem desconto e são o que sustenta o preço da marca o ano todo.
- Desconto aplicado direto no produto, numa vitrine própria de Black, converte melhor que cupom que o cliente precisa lembrar de digitar.
- As campanhas que mais funcionaram nas contas que acompanhamos combinaram frete, brinde e desconto, em vez de só subir o percentual.
- Confira se giftback, cashback e cupom acumulam com o desconto da Black. Em produto barato, a soma pode deixar o pedido no prejuízo.
- Prepare a planilha de produtos com preço atual, preço promocional e percentual, garanta estoque e defina substitutos para os itens com mais desconto.
Perguntas frequentes
Quais produtos colocar em promoção na Black Friday?
Estoque parado, grade quebrada (tamanhos ou cores que sobraram), outlet e produto que não vai ser reposto. São itens em que o desconto libera caixa e espaço. Lançamento, linha nova, produto sob encomenda e campeão de vendas ficam de fora, porque vendem sem desconto.
É melhor usar cupom ou desconto direto no produto na Black Friday?
Desconto direto no produto, com o preço de/por visível na vitrine. O cupom cria uma etapa a mais no checkout, gera dúvida quando não funciona e costuma acumular com outros benefícios sem que ninguém perceba. Cupom faz mais sentido em ação para uma lista específica, como a VIP.
Desconto em percentual ou em valor fixo na Black Friday?
Depende do ticket e da margem, e vale testar. Percentual é mais fácil de entender, mas em produto caro pode dar mais desconto do que o necessário. Valor fixo acima de um pedido mínimo (por exemplo, um valor em reais para compras acima de certo total) protege a margem nos pedidos pequenos e empurra o ticket para cima.
Toda loja precisa fazer Black Friday?
Não. Se o histórico da sua loja na data é fraco, ou se a marca depende de preço cheio, uma ação curta de outlet, com estoque parado e prazo definido, pode render mais que entrar na disputa de desconto da semana inteira.
Cristiano Creczyenski
Fundador e CEO da Metris
CEO da Metris, ajuda empreendedores a crescer com estratégia, marketing de performance, CRM e IA. Trabalha com e-commerce e marketing digital desde 2008 e já atuou com marcas como Lojas Colombo, Fila, Umbro, Melissa, Coza, Continental Ferramentas, Vinhos Collection e Pizzato.
