Fazer meu diagnóstico
Arte da frente E-commerce

Time de e-commerce: quem faz o quê em cada porte

9 min de leitura Atualizado
Equipe Metris
Equipe Metris · Atualizado em
Resposta direta

A ordem de contratação em um e-commerce segue o gargalo da operação, não o organograma de livro. A primeira contratação quase sempre é de operação (pedidos, estoque, cadastro, atendimento), porque é ela que devolve tempo ao dono. Mídia, conteúdo, CRM e dados viram cargo dedicado depois, quando o volume justifica alguém em tempo integral. Mídia amplifica uma operação que já está de pé, ela não coloca nenhuma de pé.

Toda operação chega no mesmo ponto: o dono vira o gargalo de tudo. Responde cliente, confere estoque, escolhe foto, aprova anúncio, cadastra produto e ainda tenta pensar na promoção da semana. Daí vem a pergunta: quem contratar primeiro?

A resposta que circula por aí é gestor de tráfego. Na maioria das operações, ela está errada.

Este texto organiza o time por porte de operação, não por organograma de livro. O critério não é cargo bonito no papel, é qual função devolve mais capacidade naquele momento. Se a dúvida ainda é o que precisa estar de pé antes de contratar, o mapa das camadas está em estrutura de e-commerce. Aqui a conversa é sobre gente.

Por que a primeira contratação quase nunca é gestor de tráfego?

Porque mídia amplifica. Ela não constrói.

Um gestor de tráfego competente entrando em uma operação que ainda não está de pé passa as primeiras semanas descobrindo que o feed está desatualizado, que o prazo varia sem aviso, que a página de produto não responde as perguntas do cliente e que a medição não bate com o faturamento. Nada disso é trabalho de mídia, mas sobra para ele. O resultado é uma pessoa cara resolvendo problema barato, com verba comprando visita para uma loja que ainda não sabe converter.

Existe uma exceção honesta: operação que já vende bem no orgânico, com estoque estável e medição confiável, cujo único limite é volume de visita. Aí mídia é a alavanca certa. Só que ela já tem alguém no dia a dia, mesmo que seja um sócio.

O ponto de vista da casa é esse: mídia é a função mais fácil de terceirizar bem e a mais cara de internalizar cedo. Se você tem dinheiro para uma contratação só, ela raramente é a primeira.

Quem faz o quê em cada porte de operação?

O porte que importa não é faturamento, é quanta decisão e tarefa por dia passa pela mesma pessoa. Use a coluna do sinal para se localizar.

PorteSinal de que você está aquiQuem existe dentroPróxima contratação
Uma pessoa sóO dono faz tudo e a operação para quando ele viajaDonoOperação e atendimento
Duas a três pessoasPedido e atendimento têm dono, mas conteúdo sai quando sobra tempoDono, operação, um híbrido de marketingConteúdo e social ou compras e produto
Quatro a seis pessoasMais de um canal ativo e catálogo que muda com frequênciaOperação, marketing, compras e produto, atendimento dedicadoCRM e retenção
Time consolidadoVerba de mídia relevante e frentes concorrendo por prioridadeCoordenação, mídia interna, CRM, conteúdo, operaçãoDados e integração entre canais

A tabela é ponto de partida, não regra. Poucos produtos e ticket alto chegam a CRM antes de conteúdo; catálogo grande contrata cadastro e produto antes de marketing.

O que uma pessoa faz quando o time é uma pessoa só?

Ela faz tudo, mas não deveria fazer tudo com o mesmo peso. A distinção que importa é entre o que só o dono pode decidir e o que está com ele apenas por não haver para quem passar.

Só o dono decide o que comprar e a que preço, qual é a oferta, o que é prioridade na semana e como a marca fala. Isso é estratégia, não operação. Já separar pedido, dar baixa, responder mensagem repetida, cadastrar produto, conferir estoque e emitir nota é repetitivo, ensinável e exatamente o que a primeira contratação leva embora.

Enquanto essas duas listas estiverem misturadas, qualquer plano de crescimento compete com a expedição do dia. E a expedição sempre ganha, porque ela tem prazo.

Qual é a primeira contratação, e por que ela é operação?

Porque ela compra tempo, e tempo do dono é o insumo mais escasso nesse porte.

A pessoa de operação assume pedido, estoque, cadastro e a primeira linha de atendimento. Não é um cargo glamouroso e é o que mais muda a vida da loja: o dono deixa de gastar a manhã inteira em execução e passa a usar essas horas em produto, oferta, negociação com fornecedor e canal. Nas operações que acompanhamos, essa é a contratação que mais rápido devolve tempo ao dono, e vale medir quanto antes e depois para saber se ela está cumprindo esse papel.

Tem um efeito secundário que quase ninguém antecipa: essa pessoa vira a primeira fonte real de informação sobre o cliente. Ouve a mesma dúvida toda semana e sabe o que falta na página de produto antes de qualquer teste de conversão apontar isso.

Um cuidado: isso só entrega o que promete se a operação for documentada. Sem processo escrito, você não contratou alguém de operação, contratou mais uma pessoa perguntando ao dono o que fazer.

Qual é a segunda contratação?

Depende de onde o gargalo se mudou depois da primeira, e ele se muda para um destes dois lugares.

Se o problema virou demanda, ou seja, a operação dá conta de mais pedidos do que chegam, a segunda contratação é de marketing, e nesse porte ela é um perfil híbrido: alguém que produz conteúdo, cuida de social, escreve página de produto e acompanha o que a agência ou o especialista de mídia está fazendo. Não é um especialista, é um generalista com noção de e-commerce.

Se o problema virou produto ou catálogo, a segunda contratação é compras e produto: curadoria, fornecedor, giro, ruptura e cadastro. Em D2C com produção própria essa função aparece mais cedo ainda, porque estoque parado e ruptura corroem a margem de contribuição sem aparecer em painel de campanha nenhum.

O teste para escolher entre as duas é olhar o que aconteceria se a visita dobrasse amanhã. Se a operação entregaria tudo sem quebrar, o gargalo é demanda. Se quebraria, o gargalo é produto e processo, e mais gente em marketing só antecipa a quebra.

Quando faz sentido ter alguém dedicado a produto, conteúdo, CRM e dados?

Cada uma tem um gatilho próprio, e nenhum deles é o calendário.

Produto e compras ganha dono quando ruptura e encalhe viram rotina, ou quando o cadastro atrasa lançamento. O sinal concreto: você perdeu venda por falta de produto que vendia bem, mais de uma vez no mesmo trimestre.

Conteúdo e social ganha dono quando a produção vira recorrente e a qualidade cai por sobrar para quem tem outra função. O sinal é a fila de peças atrasadas e o mesmo criativo rodando tempo demais, o que encarece aquisição sem ninguém decidir que encareceria.

CRM e retenção ganha dono quando existe base para trabalhar e recompra para defender. Antes de saber a taxa de recompra e ter fluxos rodando, isso é projeto, não cargo. Depois, é a função que mais protege o valor de cada cliente quando a aquisição encarece.

Dados ganha dono por último, e o gatilho é contradição custando dinheiro: canais suficientes para as fontes discordarem e verba suficiente para a decisão errada doer. Antes disso é rotina, não cargo: conferir se a venda registrada bate com o faturamento e olhar taxa de conversão por origem.

O que compensa terceirizar, e o que não dá para terceirizar nunca?

O critério não é custo, é aprendizado. O que gera conhecimento sobre o seu cliente e a sua margem fica dentro. O que exige especialização profunda em intensidade variável funciona melhor fora.

FunçãoOnde costuma funcionar melhorPor quê
Mídia pagaFora, por bastante tempoExige especialista atualizado em várias plataformas, e manter esse nível dentro só se paga com verba alta
Design e criativoFora, com direção dentroA produção escala melhor fora, mas quem decide a mensagem precisa conhecer o cliente
DesenvolvimentoFora, quase sempreDemanda em picos, e dev ocioso é caro
Conteúdo e SEOMistoEstratégia e voz dentro, produção dividida. Veja SEO para e-commerce antes de contratar
AtendimentoDentroÉ onde chegam as objeções que corrigem a loja inteira
Catálogo e cadastroDentroErro aqui contamina anúncio, busca interna e feed, e ninguém de fora percebe
Preço, oferta e margemDentro, sempreDefine o negócio, não é execução

Terceirizar bem exige uma condição que quase ninguém cumpre: alguém dentro para receber o trabalho, dar contexto e cobrar. Sem esse ponto de contato, o fornecedor trabalha às cegas e você paga em mensalidade o preço do atraso. A comparação de formatos está em agência ou assessoria.

Para quem esse roteiro não serve

Não serve para catálogo muito grande com giro rápido, onde cadastro e compras precisam de gente antes de tudo, inclusive antes de atendimento dedicado. Não serve para produto de compra única e ticket alto: ali a retenção perde peso e o atendimento consultivo ganha, o que muda a segunda contratação inteira.

E não serve para quem ainda não validou que existe demanda. Se a loja não vende nada sem mídia paga, o problema não é falta de time, e contratar gente transforma um problema de oferta em folha de pagamento.

O que fica

A ordem das contratações segue o gargalo, não o organograma. Operação primeiro, porque devolve tempo ao dono. Marketing ou produto depois, conforme o gargalo tenha virado demanda ou entrega. Conteúdo, CRM e dados por último, cada um com seu gatilho concreto.

Gestor de tráfego como primeira contratação é o erro mais comum porque parece a decisão mais direta: quero vender mais, contrato quem traz visita. Só que mídia multiplica o que já funciona, e multiplicar uma operação instável só mostra a instabilidade mais rápido e mais caro.

O teste dá para fazer hoje: liste o que consumiu suas últimas duas semanas, separe o que só você pode decidir do que qualquer pessoa treinada faria e veja qual lista está maior. A resposta sobre quem contratar primeiro costuma estar ali, e quase nunca é a que o mercado repete. O passo seguinte é decidir quanto dessa estrutura fica dentro de casa e quanto você compra pronto, uma decisão de custo e de velocidade que muda conforme a operação amadurece.

O que fica

  • A primeira contratação de quase todo e-commerce é operação, não mídia. Ela devolve horas ao dono, e é o dono quem ainda decide oferta, preço e prioridade.
  • Contratar gestor de tráfego cedo demais é o erro mais comum: mídia amplifica o que já existe, então ela chega antes de existir algo que valha amplificar.
  • O porte que decide o time não é faturamento, é número de decisões por dia. Quando o dono vira o gargalo de todas elas, chegou a hora de contratar.
  • Produto, conteúdo, CRM e dados viram cargo dedicado em momentos diferentes, e o gatilho de cada um é um sinal concreto da operação, não uma meta de crescimento.
  • Mídia, design e desenvolvimento costumam funcionar bem terceirizados. Atendimento, catálogo e a decisão de preço e oferta não funcionam fora de casa.
  • Terceirizar sem ninguém dentro para receber o trabalho não é economia, é atraso pago em mensalidade.

Perguntas frequentes

qual a primeira contratação de um e-commerce

Na maioria das operações, alguém de operação: separação e expedição de pedidos, cadastro de produto, conferência de estoque e atendimento ao cliente. É a função que devolve mais horas ao dono por real investido, e são essas horas que ele usa para trabalhar oferta, produto e canal. Contratar mídia antes disso costuma acelerar um problema em vez de resolver um.

quando contratar um gestor de tráfego para e-commerce

Quando a operação já vende sem depender exclusivamente de mídia, a medição está confiável e existe verba recorrente para gerir. Antes disso, o gestor passa o tempo dele apagando incêndio de estoque, prazo e página de produto, que não é o trabalho dele. Muitas operações resolvem essa função com agência ou especialista terceirizado por bastante tempo antes de contratar alguém interno.

quantas pessoas precisa para tocar um e-commerce

Depende do número de pedidos, do tamanho do catálogo e de quanto da logística é feito em casa. Uma operação pequena roda com o dono e uma pessoa de operação, com mídia e design terceirizados. A conta não é de faturamento: é de quantas decisões e tarefas por dia passam por uma única pessoa antes de virar gargalo.

vale a pena terceirizar o atendimento do e-commerce

Raramente vale nas fases iniciais. Atendimento é onde a marca aparece inteira e onde chegam as objeções que corrigem página de produto, descrição e política de frete. Terceirizado, esse aprendizado sai da operação junto com o custo. Quando o volume obriga a terceirizar, mantenha alguém interno definindo respostas, tom e escalonamento.

quando contratar alguém dedicado a dados no e-commerce

Quando existem canais suficientes para as fontes se contradizerem e verba suficiente para que a contradição custe dinheiro. Antes disso, o trabalho de dados é conferir se a venda registrada bate com o faturamento real, e isso cabe em uma rotina do dono ou do time de mídia, não em um cargo.

Equipe Metris

Equipe Metris

Estratégia, mídia, dados e conteúdo

O time da Metris, assessoria de marketing de performance com mais de 18 anos de experiência: estratégia, mídia paga, CRM, dados e CRO trabalhando juntos para fazer empresas venderem mais, com margem. Os textos saem das contas que a gente opera, e nenhum número entra sem origem.

Continue em E-commerce

Ver a frente inteira →
E-commerce

Abandono de carrinho: as 7 causas reais

As sete causas reais de abandono de carrinho, o que fazer em cada uma e qual parte do abandono não dá para recuperar com desconto nenhum.

Leia mais
E-commerce

Calendário comercial: as datas que valem a verba

Como escolher em quais datas do calendário comercial entrar, quando começar a aquecer a base, quando subir verba e por que a Black Friday se decide em agosto.

Leia mais
E-commerce

Categorias de e-commerce que mais crescem no Brasil

Por que a lista de categorias que mais crescem é o dado errado para decidir onde entrar, e quais critérios realmente definem a escolha da sua categoria.

Leia mais