A presidente da Amazon Brasil declarou em 2025 que o Brasil é o país onde a empresa mais investe globalmente. 250 centros logísticos, 180 milhões de produtos, R$ 55 bilhões investidos na última década. O que muda para quem vende e anuncia na plataforma.
A Declaração Que Define o Momento
Em junho de 2025, Juliana Sztrajman, presidente da Amazon Brasil, resumiu a posição da empresa em uma frase que raramente aparece em comunicados corporativos com essa clareza: “Estou assumindo no ano em que a Amazon globalmente tomou a decisão de que o Brasil seria o país em que mais está investindo para expansão no mundo.”
A justificativa dada pela liderança é estratégica e específica: apenas 16% do varejo brasileiro está online. Com quase 200 milhões de pessoas conectadas, o Brasil é visto pela empresa como o maior gerador potencial de novos clientes globais para a Amazon. Não é uma aposta de longo prazo vaga, é uma tese de crescimento com número de referência.
O Que R$ 55 Bilhões Constroem em Dez Anos
Os R$ 55 bilhões investidos no Brasil na última década produziram uma estrutura que há seis anos não existia na escala atual. O portfólio da plataforma foi de 1 milhão para 180 milhões de produtos no período, 30 milhões adicionados apenas em 2025. A rede logística chegou a 250 centros de distribuição em todos os estados, com mais de 100 unidades adicionadas ao longo de 2025, numa média de dois novos centros por semana.
O tempo de implementação de novos centros foi reduzido em 77% graças ao uso de IA e automação desenvolvidas por times locais. A IA hoje influencia aproximadamente 75% dos pedidos entregues globalmente pela empresa. Em 2025, foram 50 milhões de entregas rápidas realizadas no Brasil.
Para quem vende na plataforma: 78% das vendas do marketplace ocorrem fora do estado de origem do vendedor. São mais de 100 mil sellers ativos, com 36 mil funcionários diretos e indiretos no Brasil, o dobro de 2024.
O Que a Estratégia de Sellers Revela
A Amazon tornou o programa FBA (Fulfillment by Amazon) gratuito até dezembro de 2025, com redução de taxas em outros programas logísticos no mesmo período. A leitura mais direta desse movimento é de aquisição de sellers: reduzir o custo de entrada para crescer o catálogo e a base de parceiros antes de normalizar as condições comerciais.
Para operações de e-commerce que ainda não testaram a Amazon como canal, a janela de condições mais favoráveis é relevante, mas precisa ser avaliada com clareza sobre o que muda quando o período promocional terminar. Estruturar uma operação exclusivamente ao redor de benefícios temporários cria dependência que pode se tornar custo inesperado.
O dado que contextualiza a posição competitiva da Amazon no Brasil: a empresa ainda é a terceira em market share de marketplace no país, 13,9%, atrás do Mercado Livre (líder) e da Shopee, segundo a Conversion em 2025. O investimento massivo em logística e sellers é, em parte, uma resposta a essa posição de desafiante num mercado que já tem um líder consolidado.
Amazon Ads: O Canal que Cresce Junto com a Infraestrutura
Os resultados globais do Q4 2025 mostram que a publicidade é um dos vetores de crescimento mais consistentes da Amazon: US$ 21,32 bilhões em receita de anúncios no trimestre, crescimento de 22% em relação ao ano anterior.
No Brasil, o Amazon Ads acompanha a expansão da infraestrutura, e segue a mesma lógica do Retail Media que está reorganizando o mercado de publicidade digital: anunciar dentro do ambiente onde a compra já acontece, com dados de comportamento de compra real como base de segmentação.
Para estratégias de tráfego pago dentro de marketplaces, a Amazon e o Mercado Livre representam propostas complementares, com perfis de público, categorias dominantes e formatos de anúncio distintos. A decisão de qual priorizar depende do produto, do ticket médio e de onde o consumidor-alvo já está comprando.
Investimento em Conteúdo e Presença Local
A estratégia da Amazon no Brasil em 2025 não se limitou à infraestrutura física. A empresa patrocinou transmissões da Copa do Mundo 2026, investiu em futebol feminino, estabeleceu parcerias com criadores de conteúdo e marcou presença em festas regionais como Carnaval e São João.
Esses movimentos indicam uma estratégia de construção de marca além do marketplace, aproximar a Amazon do cotidiano brasileiro para reduzir a distância cultural que ainda existe entre a plataforma e o consumidor local. Essa é a parte do investimento que não aparece nos números de centros de distribuição, mas que pode ser decisiva para a velocidade de adoção em categorias além de eletrônicos e livros.
O Padrão que se Repete: Investimento Sobre Margem
Globalmente, a Amazon anunciou US$ 200 bilhões em despesas de capital para 2026, com foco em data centers, chips e IA. No Q4 2025, a receita foi de US$ 213,39 bilhões (+14% YoY), com lucro operacional de US$ 24,98 bilhões. Mesmo com esses números, as ações caíram mais de 7% após o anúncio, o mesmo padrão observado no Mercado Livre: o mercado cobra lucro imediato, a empresa acelera investimento de longo prazo.
Para quem vende e anuncia na plataforma, esse padrão tem uma implicação prática: a Amazon está construindo infraestrutura com horizonte de 5 a 10 anos. A operação de growth commerce que se posiciona bem agora, com catálogo estruturado, operação logística integrada e presença no Amazon Ads, entra em 2026 e 2027 numa plataforma com capacidade de entrega e alcance crescentes.
A Amazon elegeu o Brasil não por conveniência geográfica, mas por uma tese de crescimento específica: mercado grande, penetração digital baixa, consumidor conectado. Quem entende a lógica por trás desse investimento tem informação mais útil para tomar decisões de canal do que quem lê apenas os números de superfície.
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