Fazer meu diagnóstico
Arte da frente E-commerce

Ticket médio: como aumentar sem dar desconto

8 min de leitura Atualizado
Equipe Metris
Equipe Metris · Atualizado em
Resposta direta

Ticket médio é a receita dividida pelo número de pedidos, e ele sobe de duas formas opostas: vendendo mais itens por pedido (kit, upsell no carrinho, recorrência) ou comprando volume com desconto e frete grátis irrestrito. A primeira mantém a margem de contribuição; a segunda entrega ticket maior e resultado menor. Por isso toda alavanca de ticket precisa ser testada na margem do pedido, não no valor do pedido.

Aumentar o ticket médio virou meta de planilha em quase toda loja. E o caminho mais rápido para bater essa meta é justamente o mais caro: cupom maior, frete grátis para todo mundo, desconto progressivo em três faixas.

O ticket sobe. O que sobra de cada venda desce. Como o painel mostra ticket e não mostra margem, a operação comemora por alguns meses antes de encontrar a conta.

O que é ticket médio, e por que ele engana sozinho?

Ticket médio é a receita do período dividida pelo número de pedidos. Só isso.

Ele não sabe quanto custou o produto, quanto ficou na taxa do meio de pagamento, quanto a empresa pagou de frete, nem quanto do preço saiu em cupom. É um indicador de receita usado como se fosse indicador de resultado, e essa confusão é o que faz uma alavanca ruim parecer boa por um trimestre inteiro.

Existem duas formas opostas de subir esse número. Você pode aumentar o que entra no carrinho, mantendo o preço unitário, ou pode aumentar o valor do pedido pagando por ele com desconto, frete ou brinde. As duas produzem o mesmo gráfico. Só uma produz mais dinheiro.

Por isso ticket médio nunca deve ser lido sozinho. O par certo é ticket médio junto com a margem de contribuição por pedido, e essa é a ponte que sustenta todo o resto deste texto.

Vale registrar o pano de fundo: em datas de desconto concentrado, como a Black Friday, é comum o ticket médio cair. O movimento importa menos pelo percentual e mais pelo que ele revela: quando a concorrência inteira compra volume com desconto, quem não calculou a margem entra na disputa sem saber até onde pode ir.

Quais alavancas aumentam o ticket e mantêm a margem?

Todas elas têm a mesma característica: aumentam o valor do pedido diluindo custos que já existiam, em vez de reduzir o preço do que já seria comprado.

Kit. Dois ou três itens vendidos como conjunto, com preço de conjunto. O ganho não está no desconto que você dá no kit, está na embalagem, no frete e na taxa de pagamento que passam a ser cobrados uma vez para três produtos. Kit bem montado suporta um desconto pequeno e ainda assim entrega margem em reais maior que a venda avulsa. Kit montado juntando encalhe com campeão de venda faz o contrário: derruba a margem do produto bom para escoar o ruim.

Combinação de produto. É a sugestão do item que faz sentido ao lado do principal, na página de produto e no carrinho. Aqui não existe desconto nenhum, o preço é cheio, e o custo marginal de logística é baixo porque o pedido já ia sair. A régua é relevância: sugestão genérica vira ruído e ainda atrapalha a conversão da página de produto.

Upsell no carrinho. Item de baixo valor e baixa fricção oferecido na hora do fechamento (refil, acessório, versão maior). Funciona porque a decisão de comprar já foi tomada, e a resistência a somar um valor pequeno é menor que a resistência a começar uma compra. Cuidado único: upsell que atrapalha o fluxo cobra caro em conversão, e o que se ganha em ticket sai da taxa do checkout.

Frete grátis por faixa calculada. É a alavanca mais usada e a mais mal implementada. Bem feita, ela aumenta o ticket sem tocar no preço: a pessoa adiciona um item para alcançar a faixa. Mal feita, ela vira desconto disfarçado, porque a empresa passa a pagar um frete que a margem daquele pedido não cobre.

Recorrência. Assinatura, refil programado, clube. Aqui o ticket de um pedido pode até ficar igual, mas o valor do cliente muda de patamar, e é isso que decide quanto você pode pagar por aquisição. É a mesma lógica da taxa de recompra e do LTV: o teto sobe pela frequência, não pelo cupom.

Quais alavancas aumentam o ticket e destroem a margem?

Desconto progressivo mal calculado. A regra do tipo “leve 3 e ganhe 15% em tudo” tem um defeito estrutural: o desconto incide sobre o pedido inteiro, inclusive sobre o item que a pessoa já ia levar sem incentivo nenhum. Você paga desconto por uma decisão que já estava tomada. A faixa só se sustenta quando o ganho de margem do item adicional é maior que o desconto concedido no carrinho todo, e isso precisa ser calculado faixa por faixa, antes de a regra ir para a loja.

Frete grátis irrestrito. Frete grátis para qualquer valor é o caso mais direto de ticket subindo e margem caindo, e ele tem um agravante: o custo cresce junto com o volume. Quer dizer que a margem piora exatamente no mês em que a operação vende mais. É o mesmo custo esquecido que aparece na conta de margem de contribuição, agora ampliado por uma regra de vitrine.

Brinde caro tratado como cortesia. Brinde tem custo de produto, ocupa caixa e às vezes muda a faixa de frete. Se ele não entra na conta da margem, ele vira desconto que ninguém contabilizou.

AlavancaO que acontece com o ticketO que acontece com a margem
Kit com preço de conjuntoSobeMantém ou melhora, se o desconto for menor que a diluição de embalagem, frete e taxa
Combinação de produto sugeridaSobeMelhora, porque não há desconto e o custo logístico marginal é baixo
Upsell no carrinhoSobe pouco e com frequênciaMelhora, desde que não derrube a conversão do checkout
Frete grátis por faixa calculadaSobeMantém, se a faixa saiu da margem e não de um número redondo
RecorrênciaEstável por pedidoMelhora no acumulado do cliente
Desconto progressivo sem cálculoSobeCai, porque o desconto atinge o item que já seria comprado
Frete grátis sem faixaSobeCai, e piora conforme o volume cresce

Como calcular a faixa de frete grátis?

A faixa não é um número redondo escolhido no olho, é uma consequência de duas contas que você já deveria ter.

Os números abaixo são de exemplo, servem só para mostrar a mecânica. Suponha um pedido médio de R$ 200 com margem de contribuição de 35%, ou seja, R$ 70 em reais. Suponha um frete médio de R$ 30 para a região que mais vende. Se você libera frete grátis a partir de R$ 200, sobram R$ 40 de contribuição naquele pedido. Se o custo de aquisição desse pedido for maior que R$ 40, a venda passa a consumir margem em vez de contribuir.

A pergunta certa, então, não é “qual valor parece bom”. É: a partir de qual valor o pedido continua contribuindo depois de absorver o frete inteiro e o custo de aquisição. Coloque a faixa acima do seu ticket médio atual, perto o suficiente para ser alcançável com um item a mais, e recalcule sempre que o custo de frete mudar.

Duas armadilhas comuns: faixa igual ao ticket médio (você paga frete por pedidos que aconteceriam do mesmo jeito) e faixa alta demais (ninguém alcança, e a regra só serve para frustrar).

Como avaliar qualquer alavanca contra a margem?

O teste é sempre o mesmo, e ele é simples o bastante para caber em uma planilha de uma aba.

Calcule a margem de contribuição em reais do pedido antes da alavanca. Calcule a margem de contribuição em reais do pedido depois. Compare os dois valores absolutos, não os percentuais.

O percentual sozinho engana nos dois sentidos. Um kit pode ter margem percentual menor que a venda avulsa e ainda assim deixar mais dinheiro por pedido, porque o valor cresceu. E um pedido com frete grátis pode manter o percentual bonito enquanto o valor em reais que sobra não cobre a aquisição.

Se ticket sobe e margem em reais por pedido cai, a alavanca está transferindo dinheiro seu para o cliente. Isso pode ser uma decisão consciente em um momento específico (entrada em categoria nova, queima de estoque parado, defesa de participação em data sazonal). O problema não é fazer, é fazer sem saber que está fazendo.

Para quem ticket médio não é a prioridade agora?

Para quem converte pouco. Se a loja tem tráfego e não fecha venda, aumentar o valor do pedido é aumentar o valor de uma compra que não acontece. O gargalo está antes, na estrutura da loja e no checkout.

Para quem tem catálogo de item único, sem acessório, sem refil e sem versão maior. Aqui a alavanca real é preço e recompra, não composição de carrinho.

E para quem ainda não sabe o custo do produto por SKU. Sem essa base, qualquer conta de margem por alavanca é chute com aparência de planilha.

O que fica

Ticket médio é receita por pedido, não resultado por pedido. Ele sobe quando você aumenta o que entra no carrinho e sobe também quando você paga por isso com desconto, e o gráfico não distingue as duas coisas.

As alavancas que preservam margem diluem custo que já existia: kit, combinação de produto, upsell no carrinho, faixa de frete calculada e recorrência. As que destroem margem transferem preço: desconto progressivo sem cálculo, frete grátis irrestrito, brinde fora da conta. O árbitro entre elas é sempre a margem de contribuição em reais por pedido, medida antes e depois.

Quem faz essa conta por alavanca costuma descobrir a mesma coisa: o problema raramente é o ticket, é a ordem em que as decisões foram tomadas. Ticket médio, margem, recompra e custo de aquisição não são quatro projetos separados, são quatro leituras da mesma operação, e é quando elas passam a ser olhadas juntas que a loja para de crescer no volume e começa a crescer no resultado.

O que fica

  • Ticket médio é um número de receita. Ele não enxerga custo de produto, frete, taxa de pagamento nem cupom, então sozinho ele não diz se a venda melhorou.
  • Kit, combinação de produto, upsell no carrinho e recorrência aumentam o valor do pedido diluindo custos que já existiam, e por isso costumam preservar a margem.
  • Desconto progressivo e frete grátis sem faixa aumentam o ticket transferindo dinheiro da margem para o cliente, e o efeito só aparece na planilha semanas depois.
  • A faixa de frete grátis não é um número redondo escolhido no olho: ela sai da margem de contribuição do pedido médio menos o custo real do frete.
  • Antes de ligar qualquer alavanca, calcule a margem do pedido antes e depois. Se a margem em reais cai enquanto o ticket sobe, a alavanca está trabalhando contra você.

Perguntas frequentes

Como aumentar o ticket médio do e-commerce sem dar desconto?

As alavancas que funcionam sem desconto são as que aumentam a quantidade ou o valor do que entra no carrinho: kit com produtos que fazem sentido juntos, sugestão de combinação na página de produto, upsell no carrinho com item de baixo atrito, faixa de frete grátis calculada a partir da margem e assinatura ou recorrência. Todas elas diluem custos fixos por pedido em vez de reduzir o preço.

Qual o valor ideal para o frete grátis?

Não existe valor universal, existe o valor que a sua margem suporta. O caminho é pegar a margem de contribuição em reais do seu pedido médio, comparar com o custo real de frete que você paga, e definir a faixa no ponto em que o pedido continua contribuindo depois de absorver esse frete. Faixa escolhida por número redondo costuma ficar abaixo do que a operação aguenta ou tão alta que ninguém alcança.

Desconto progressivo aumenta o ticket médio?

Aumenta o valor do pedido e quase sempre reduz a margem em reais, porque o desconto incide sobre o total, inclusive sobre o item que a pessoa já ia comprar sem incentivo nenhum. Ele só se paga quando a faixa de desconto é menor que o ganho de margem trazido pelo item adicional, o que exige calcular por faixa antes de publicar a regra.

Ticket médio ou número de pedidos: o que priorizar?

Depende de onde está o gargalo. Se a loja converte pouco, mexer em ticket antes de arrumar conversão só aumenta o valor de pedidos que não acontecem. Se a conversão já é estável e o custo de aquisição está apertado, ticket médio é a alavanca mais barata, porque ela não exige mais tráfego.

Como saber se a alavanca de ticket médio deu certo?

Olhando margem de contribuição por pedido, e não só o ticket. Compare o valor médio do pedido e a margem média em reais no mesmo período, antes e depois. Ticket subindo com margem em reais caindo significa que você comprou o aumento com desconto, frete ou brinde.

Equipe Metris

Equipe Metris

Estratégia, mídia, dados e conteúdo

O time da Metris, assessoria de marketing de performance com mais de 18 anos de experiência: estratégia, mídia paga, CRM, dados e CRO trabalhando juntos para fazer empresas venderem mais, com margem. Os textos saem das contas que a gente opera, e nenhum número entra sem origem.

Continue em E-commerce

Ver a frente inteira →
E-commerce

Abandono de carrinho: as 7 causas reais

As sete causas reais de abandono de carrinho, o que fazer em cada uma e qual parte do abandono não dá para recuperar com desconto nenhum.

Leia mais
E-commerce

Calendário comercial: as datas que valem a verba

Como escolher em quais datas do calendário comercial entrar, quando começar a aquecer a base, quando subir verba e por que a Black Friday se decide em agosto.

Leia mais
E-commerce

Time de e-commerce: quem faz o quê em cada porte

Quem contratar primeiro, segundo e terceiro em um e-commerce D2C. A ordem das funções por porte de operação e o que compensa terceirizar em cada fase.

Leia mais