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Mão fechando a tampa de uma caixa de madeira com duas garrafas de vinho, sob um spot de luz na adega

Kit de vinho que aumenta o ticket (sem o kit comer a margem)

7 min de leitura
Cristiano Creczyenski
Resposta direta

Kit de vinho aumenta o ticket quando tem curadoria e uma história, não quando o cliente monta sozinho. O padrão mais discutido nas lojas que acompanhamos vai de 3 a 6 garrafas, com mais saída em 4, e a quantidade vai no título. Para o kit não comer a margem, cupom de primeira compra não soma com kit nem com desconto no Pix, e os rótulos precisam ser fáceis de repor.

O kit é uma das primeiras ideias que aparecem quando uma vinícola ou importadora quer aumentar o ticket médio da loja online. Faz sentido: em vez de uma garrafa por pedido, saem quatro, e o frete se dilui. Mas nas reuniões com essas marcas, o kit também apareceu como origem de problema: margem que some no checkout, kit que sai do ar porque um rótulo acabou, pedido pequeno que dá o trabalho de um grande.

Este texto junta o que a gente discutiu com lojas de vinho sobre kits: o que faz um kit vender, quantas garrafas colocar, o que não pode somar com ele e como o estoque decide se o kit fica no ar. Nenhum caso aqui identifica cliente.

Por que kit com curadoria vende mais que “monte seu kit”?

Porque quem compra kit quer que alguém escolha por ele. O “monte seu kit” devolve a decisão ao cliente, justamente a parte que ele queria evitar.

Uma das lojas que acompanhamos removeu o monte seu kit e ficou só com kits montados pela casa. A nossa leitura: diante de dezenas de rótulos para combinar, o cliente que não entende de vinho trava, e o configurador vira mais uma etapa entre ele e a compra.

O kit com curadoria resolve isso com uma narrativa:

  • Um tema. “Tintos da Serra Gaúcha”, “Brancos para o verão”, “Para quem está começando no vinho”.
  • Um motivo para a combinação. Por que esses rótulos juntos: a mesma uva em regiões diferentes, uma progressão do mais leve ao mais encorpado, uma harmonização.
  • Uma ocasião. Presente, jantar, festa de fim de ano.

É a mesma lógica do clube de assinatura de vinho: a curadoria é o produto. O vinho é o que vai dentro.

Quantas garrafas deve ter um kit de vinho?

O padrão discutido nas lojas que acompanhamos vai de 3 a 6 garrafas, e o kit de 4 foi o de mais saída.

TamanhoPara que serveCuidado
2 garrafasPresente, dupla para uma ocasiãoTicket ainda baixo; confira se compensa o trabalho de kit
3 garrafasPrimeiro contato, degustação de uma linhaBom para apresentar a casa
4 garrafasO equilíbrio entre ticket e decisão de compraFoi o de mais saída nas conversas com clientes
6 garrafasCaixa fechada, consumo da casa, festaTicket alto, decisão mais pensada

E a quantidade vai no título. “Kit 4 tintos do Sul” diz em três palavras o que o cliente quer saber antes de clicar. “Kit Especial Serra” obriga a abrir a página para descobrir.

O título com quantidade também ajuda nos anúncios: no catálogo do Meta e no Google Shopping, o nome do produto é o que aparece, e um título claro evita clique de quem procurava uma garrafa só.

Que desconto não pode somar com o kit?

Esse é o ponto em que o kit mais come margem, e quase sempre sem ninguém perceber. Três benefícios comuns em loja de vinho:

  • Preço especial do kit. O kit já sai mais barato que as garrafas somadas.
  • Cupom de primeira compra. Configurado meses antes para captar cliente novo.
  • Desconto no Pix. Ativo em toda a loja.

Os três somados no mesmo pedido podem deixar o kit com margem perto de zero, ou negativa depois do frete e da embalagem. A regra que a gente recomenda: cupom de primeira compra não soma com kit e com desconto no Pix. Na maior parte das plataformas, dá para restringir o cupom a produtos ou categorias, ou impedir que ele se combine com outros descontos.

O teste é simples: faça um pedido real do kit, com o cupom de boas-vindas, pagando no Pix, e veja o valor final. Depois compare com a margem de contribuição do kit.

Por que kit de ticket baixo não compensa?

Porque o trabalho de um kit não diminui com o preço. Separar os rótulos, montar a caixa, embalar com proteção para garrafa e despachar custa quase o mesmo num kit barato e num caro.

Kit de ticket baixoKit de ticket alto
Trabalho de separação e embalagemO mesmoO mesmo
Custo da caixa e da proteçãoPesa mais em proporçãoSe dilui
Margem que sobra depois de frete e embalagemPoucaMais folga para frete grátis ou brinde
Efeito no ticket médioPequenoÉ o motivo de existir o kit

Na conversa com uma das lojas, a conclusão foi que o kit barato gerava um processo ineficiente: dava o trabalho de kit e o resultado de garrafa avulsa. Se o objetivo é aumentar o ticket, o kit precisa ficar acima dele.

Como o estoque derruba um kit?

O estoque do kit é o estoque do componente com menos unidades. Se o kit leva quatro rótulos e um deles tem só dez garrafas, você tem no máximo dez kits, mesmo com centenas das outras três.

E quando esse rótulo acaba, o kit inteiro sai do ar. Se o kit estava rodando em anúncio, a campanha perde o produto que vendia, e o aprendizado vai junto.

O que a gente recomenda:

  • Monte kits com rótulos fáceis de repor. Vinho de linha, com fornecimento previsível. O rótulo raro fica de fora do kit, ou entra num kit de edição limitada, anunciado como tal.
  • Acompanhe o estoque pelo componente, não pelo kit. A plataforma pode mostrar o kit disponível até o último minuto; o rótulo que vai faltar é o que você precisa olhar.
  • Tenha um substituto definido. Se um rótulo acabar, qual entra no lugar sem mudar a proposta do kit.

Isso pesa ainda mais na Black Friday e no Natal, quando o kit vende concentrado. O calendário e a mecânica das datas estão em Black Friday e Natal de uma loja de vinhos.

O kit ajuda a diferenciar o site do varejo?

Ajuda, e esse é um argumento que muita vinícola subestima. A marca que vende no próprio site e também para lojistas e supermercados enfrenta uma pergunta do cliente: por que comprar aqui, se tem na loja da esquina?

O kit responde:

  • Curadoria que o varejo não faz. O lojista vende garrafa; o site vende uma seleção com explicação.
  • Rótulos exclusivos do e-commerce. Uma safra, um rótulo de produção pequena ou uma combinação que só existe no site.
  • Sem concorrer com o lojista. Como o kit não existe na prateleira, ele não aparece como preço mais baixo que o do parceiro.

Kit sempre vende mais que garrafa avulsa?

Não. E essa é a ressalva que a gente faz em toda conversa sobre kit. Numa das marcas que acompanhamos, os kits venderam menos que as garrafas avulsas.

Uma hipótese é que o cliente daquela marca já conhecia os rótulos e preferia escolher o seu. O kit tende a funcionar melhor para quem está conhecendo a casa e para presente; o avulso, para quem já sabe o que quer.

Por isso, o caminho é testar: coloque dois ou três kits no ar, acompanhe por 3 meses, compare o ticket médio e a margem dos pedidos com kit e sem kit, e só então decida se o kit vira parte central do catálogo.

Para quem este texto não serve?

Para a loja que ainda vende poucos pedidos por mês. Com volume baixo, não dá para separar o efeito do kit do acaso, e o tempo gasto montando kits rende mais em tráfego e em página de produto.

E para quem quer usar o kit para desovar rótulo parado misturado com rótulo bom. O cliente de vinho percebe, e o kit perde exatamente o que o fazia vender: a confiança na curadoria.

O que fica

Kit de vinho vende quando tem curadoria e narrativa. De 3 a 6 garrafas, com mais saída em 4, e a quantidade no título.

Para não comer a margem: cupom de primeira compra não soma com kit e com Pix, kit fica acima do ticket médio, e os rótulos precisam ser fáceis de repor, porque o estoque do kit é o do componente que acaba primeiro. E teste antes de apostar: em algumas marcas, a garrafa avulsa vende mais.

O que fica

  • Kit com curadoria e narrativa vende mais que "monte seu kit". O cliente compra kit para não ter que escolher.
  • De 3 a 6 garrafas, com mais saída em 4, e a quantidade escrita no título do kit.
  • Cupom de primeira compra não pode somar com kit e com desconto no Pix. A soma dos três costuma ser onde a margem some.
  • Kit de ticket baixo dá trabalho de kit (separação, embalagem, frete) e retorno de garrafa avulsa.
  • O estoque do kit é o do rótulo com menos unidades. Monte com itens fáceis de repor, porque a ruptura de um rótulo derruba o kit inteiro.
  • Teste antes de apostar: numa das marcas que acompanhamos, os kits venderam menos que as garrafas avulsas.

Perguntas frequentes

Quantas garrafas deve ter um kit de vinho?

Nas lojas de vinho que acompanhamos, o padrão discutido vai de 3 a 6 garrafas, e o kit de 4 foi o que teve mais saída. Escreva a quantidade no título ("Kit 4 tintos do Sul"), porque é a primeira coisa que o cliente quer saber.

Vale a pena ter a opção monte seu kit no site?

Na maior parte dos casos, não como produto principal. O cliente que procura kit quer que alguém escolha por ele. Uma das lojas que acompanhamos removeu o monte seu kit e manteve só os kits com curadoria.

Kit de vinho pode ter desconto?

Pode, desde que a conta feche com todos os benefícios que o pedido pode acumular. Se o kit já tem preço especial, o cupom de primeira compra e o desconto no Pix não devem somar com ele. Confira a regra no checkout com um pedido real antes de anunciar.

Kit de vinho vende mais que garrafa avulsa?

Nem sempre. Numa das marcas que acompanhamos, os kits venderam menos que as garrafas avulsas. O kit tende a funcionar melhor em presente e em datas, e o avulso em quem já conhece o rótulo. Por isso vale testar na sua loja antes de transformar o catálogo em kits.

Cristiano Creczyenski

Cristiano Creczyenski

Fundador e CEO da Metris

CEO da Metris, ajuda empreendedores a crescer com estratégia, marketing de performance, CRM e IA. Trabalha com e-commerce e marketing digital desde 2008 e já atuou com marcas como Lojas Colombo, Fila, Umbro, Melissa, Coza, Continental Ferramentas, Vinhos Collection e Pizzato.

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