O Manus AI executa campanhas completas de forma autônoma. A Meta planeja automatizar criação e segmentação de anúncios até o fim de 2026. O que muda para quem anuncia, e para quem gere mídia.
A Diferença Entre Responder e Executar
Durante anos, a IA ocupou um papel específico dentro do fluxo de trabalho de marketing: ela respondia. Você perguntava, ela gerava um texto, uma sugestão de segmentação, um roteiro de campanha. O trabalho de executar, abrir plataformas, configurar públicos, testar criativos, distribuir orçamento, ainda era humano.
Dois movimentos recentes, vindos de direções diferentes, indicam que essa divisão está mudando de forma estrutural.
Manus AI: O Agente Que Não Espera Ser Perguntado
Em março de 2025, a startup chinesa Butterfly Effect lançou o Manus AI, descrito como o primeiro agente de IA geral do mundo. A distinção em relação a chatbots tradicionais é técnica e consequente: você fornece um objetivo, e o Manus planeja as etapas, executa cada uma e entrega o resultado. Sem novos comandos intermediários.
O agente opera em ambiente Linux isolado, acessa a internet, roda códigos, preenche formulários, navega em sites autenticados e gera arquivos, tudo em sequência autônoma. Sua arquitetura é multi-agente: várias IAs especializadas, incluindo o Claude 3.7 Sonnet da Anthropic e o Qwen da Alibaba, coordenadas por um agente principal que distribui tarefas em paralelo.
No benchmark GAIA da MIT Technology Review, o Manus obteve 86,5% de acerto, superando o Deep Research da OpenAI nos três níveis de dificuldade avaliados.
Para marketing, o caso de uso é direto: dado o prompt “elabore uma campanha para lançamento de produto de cosmético”, o Manus pesquisa concorrentes na web, define público-alvo, gera peças visuais e textuais, estrutura cronogramas e sugere distribuição de orçamento entre canais, com base em dados reais, sem precisar de mais nenhuma instrução.
O Manus ainda está em beta, com acesso via convites. Dados armazenados em servidores chineses levantam questões legítimas de privacidade para empresas com dados sensíveis, um ponto de atenção antes de qualquer integração com operações reais.
Meta: Automação Total até o Fim de 2026
Em junho de 2025, o Wall Street Journal reportou o plano da Meta para automatizar completamente a criação e a segmentação de anúncios até o fim de 2026. A visão declarada pela empresa é que uma marca precisará fornecer apenas uma imagem de produto e um orçamento, a IA da Meta gera o criativo, determina o público e distribui o budget.
Esse plano não veio do nada. Ele é a continuação de um processo já em curso de redução progressiva da segmentação manual:
- Em março de 2025, as exclusões de direcionamento detalhado foram removidas do Gerenciador de Anúncios
- Em junho de 2025, os interesses foram consolidados em grupos maiores, diminuindo a granularidade disponível
- Em janeiro de 2026, campanhas antigas com interesses afetados deixaram de ser veiculadas
O Advantage+, sistema de automação de campanhas da Meta, já é usado por 82% dos anunciantes em 2025. Os benchmarks internos da plataforma apontam ROAS 32% maior em relação a campanhas manuais. O contraponto vem de dados externos: uma análise da Wicked Reports sobre 55.661 campanhas reais encontrou custo de aquisição de novos clientes subindo de US$ 257 para US$ 528 no Advantage+. A diferença entre o benchmark da plataforma e os dados de terceiros é exatamente o tipo de tensão que equipes de tráfego pago precisam monitorar com metodologia própria, não apenas com as métricas entregues pela plataforma.
Em 2026, a Meta também introduziu o “creative fatigue score”, um indicador nativo que sinaliza quando um anúncio está esgotado para o público, algo que antes exigia análise manual por parte do gestor.
O Que os Dois Movimentos Têm em Comum
Manus AI e Meta Advantage+ são sintomas do mesmo deslocamento: a IA passou de assistente para executor.
No Manus, um humano define o objetivo, a IA executa o trabalho inteiro. No Meta Advantage+, um anunciante fornece o produto e o orçamento, a plataforma executa a campanha inteira. Em ambos os casos, o humano foi deslocado da função de executor para a função de curador e estrategista.
Para operações de growth marketing que já operam com essa lógica, estratégia orientada a dados, criativo como alavanca principal, análise de funil como prática contínua —, o movimento da plataforma é uma confirmação do caminho, não uma disrupção. Para operações ainda centradas na configuração manual de públicos e na otimização tática de campanhas, a mudança é mais urgente.
O Que Ainda Depende do Humano
Há um ponto de convergência entre os dois movimentos: o criativo. A Meta pode gerar anúncios automaticamente, mas criativos de qualidade, com identidade de marca, ângulo de mensagem bem calibrado e relevância para o momento do consumidor, ainda dependem de decisão humana sobre o que comunicar e para quem.
A plataforma amplifica o criativo que funciona. Ela não define o que deve funcionar. Quem alimenta o algoritmo com dados de primeira parte de qualidade, via API de Conversão, e com criativos que traduzem intenção real em mensagem relevante, tem estrutura para se beneficiar da automação. Quem terceiriza essa decisão para a plataforma sem base estratégica tende a pagar mais por resultados menos previsíveis.
Para operações de e-commerce e negócios que dependem de prospecção contínua, a pergunta prática é: qual parte do processo de aquisição a automação realmente melhora, e onde a supervisão humana ainda protege margem e consistência de resultado?
Um Dado de Contexto para o Mercado Brasileiro
A partir de janeiro de 2026, anunciar no Facebook, Instagram e WhatsApp ficou 12,15% mais caro no Brasil, por conta do repasse dos impostos PIS/COFINS e ISS. O aumento de custo de mídia, combinado com a redução de controle sobre segmentação, reforça a importância de uma assessoria de marketing que trabalhe com estrutura de mensuração própria, não dependente exclusivamente dos dados da plataforma para tomar decisões de alocação de budget.
A era dos agentes não é uma previsão de futuro. É uma descrição do presente. Plataformas já estão automatizando o que antes era trabalho especializado, e agentes como o Manus mostram onde essa automação pode chegar quando aplicada a fluxos inteiros de trabalho. A vantagem competitiva, nesse cenário, está cada vez menos em quem sabe operar a ferramenta, e cada vez mais em quem sabe definir o que a ferramenta deve entregar.
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