Comparar agências de performance funciona por dimensão, não por preço. As oito que separam uma proposta da outra: modelo de cobrança, escopo entregue de fato, quem opera a conta no dia a dia, senioridade do time, propriedade das contas e dos dados, transparência de relatório, cláusula de saída e o que a agência chama de sucesso. Para cada uma existe uma pergunta objetiva, e a evasiva informa mais que a bonita.
Quando você pede três propostas de agência de performance, recebe três documentos que parecem falar da mesma coisa e não falam. Um cobra percentual sobre a verba, outro cobra fee, o terceiro mistura os dois. Um promete “gestão de mídia”, outro promete “crescimento”. Comparar isso do jeito que chega é impossível.
O que torna a comparação possível não é o preço. É reduzir todas as propostas às mesmas dimensões e fazer, em todas as reuniões, as mesmas perguntas.
Se você ainda está entendendo o serviço, comece por o que uma agência de performance faz e quando contratar. Se a dúvida é de valor, o assunto está em quanto custa uma agência de performance. Aqui a pergunta é outra: com três nomes na mesa, como decidir?
Uma ressalva antes de começar. Você não vai encontrar nome de agência aqui, nem ranking. Lista de “melhores agências” costuma ser publicada por quem tem relação comercial com as listadas, e nenhuma delas conhece a sua margem, o seu estoque ou o seu momento. O que serve é o critério, porque ele continua valendo quando os nomes do mercado mudam.
Por que comparar agências pelo preço quase sempre dá errado?
Porque preço só é comparável quando o escopo é idêntico, e o escopo praticamente nunca é. Duas propostas com o mesmo valor mensal podem significar coisas opostas: uma com um profissional sênior dedicado a poucas contas, outra com um analista recém-formado tocando quinze operações. As duas escrevem “gestão de mídia paga” na primeira linha.
Existe um segundo motivo, menos óbvio. O custo real tem quatro parcelas: fee, verba de mídia, ferramentas e produção, e o desperdício de uma operação mal conduzida. A quarta não aparece em proposta nenhuma e costuma ser a maior.
Por isso a comparação útil não pergunta “quanto custa”. Pergunta “o que exatamente eu recebo, de quem, com que dado, e como saio se não funcionar”.
Quais dimensões realmente separam uma agência da outra?
São oito. Para cada uma existe uma pergunta objetiva para fazer na reunião e uma resposta que deveria acender o alerta. Leve esta tabela impressa, se ajudar.
| Dimensão | A pergunta exata na reunião | Resposta que acende alerta |
|---|---|---|
| Modelo de cobrança | “Como vocês são remunerados e o que acontece com a sua receita se eu reduzir a verba pela metade?” | “Fica proporcional, mas isso não é uma opção agora.” Percentual sobre verba pune quem recomenda cortar investimento |
| Escopo declarado x escopo entregue | “Qual é a lista do que não está incluído?” | “Está tudo incluído.” Não está. Significa que a fronteira vai ser negociada na primeira fatura extra |
| Quem opera no dia a dia | “Quem vai abrir a minha conta amanhã de manhã e quantas contas essa pessoa atende hoje?” | Nome de quem opera não é dito, ou “temos um time” sem número de contas por pessoa |
| Senioridade do time alocado | “Há quanto tempo essa pessoa opera contas de e-commerce e quem revisa o trabalho dela?” | Sênior aparece na venda e some depois. Ninguém revisa, ou quem revisa é o mesmo que executa |
| Propriedade das contas e dos dados | “Em nome de quem ficam a conta de anúncio, o pixel, o tag manager e o analytics?” | “Fica no nosso gerenciador, é mais prático.” Retenção por refém, não conveniência |
| Transparência de relatório | “Posso ver um relatório real de cliente, com os dados sensíveis borrados?” | Só slide bonito, sem acesso à conta, ou “montamos um modelo exclusivo para você” que ninguém consegue mostrar |
| Cláusula de saída | “Como eu saio deste contrato se em 4 meses o número não se mover?” | Multa alta sem gatilho de desempenho, ou fidelidade longa sem justificativa declarada |
| Definição de sucesso | “Qual número precisa se mover para vocês considerarem este contrato bem-sucedido?” | Métrica de entrega (criativos por mês, reuniões, relatórios) em vez de métrica de negócio |
Nenhuma dessas perguntas é agressiva. Todas são fáceis de responder para quem opera de verdade, e é justamente por isso que elas funcionam: o desconforto na resposta carrega mais informação que a resposta.
Onde a diferença costuma se esconder?
Quatro dimensões da tabela merecem detalhe, porque são as que mais mudam o resultado e as que menos aparecem na proposta.
Escopo declarado contra escopo entregue. A frase “gestão completa de mídia” pode significar quatro revisões de campanha por semana ou uma revisão mensal de orçamento. Peça a frequência de cada entrega, não a lista: quantas variações de criativo por mês, com que profundidade é o relatório, quem responde em dia de pico. Escopo sem frequência é intenção.
Quem opera e com que senioridade. É o ponto que mais explica variação de resultado entre agências parecidas, e o menos verificável em proposta. O nome de quem vende raramente é o nome de quem executa. Pergunte quantas contas cada operador carrega: é um número que a agência sabe de cabeça e que raramente aparece em documento. Pergunte também quem revisa. Conta sem segunda leitura acumula erro silencioso, e erro silencioso em mídia é caro porque gasta enquanto ninguém olha.
Propriedade das contas e dos dados. Conta de anúncio, pixel, tag manager e analytics ficam no seu nome, com a agência como usuária. É padrão de mercado e não deveria ser negociável. A justificativa de “é mais prático no nosso gerenciador” é verdadeira e irrelevante: o custo dessa praticidade é você perder o histórico da própria operação no dia da troca, e histórico de conta é ativo, porque é ele que alimenta o aprendizado das plataformas.
O que a agência mede como sucesso. Peça a definição por escrito, com métrica, fonte de verdade, patamar e prazo. A diferença entre “vamos entregar 12 criativos por mês” e “vamos levar o custo por aquisição de X para Y em 90 dias, medido na sua plataforma de vendas” é a diferença entre responder por entrega e responder por número. Se a fonte de verdade for o painel da plataforma de anúncio, o sucesso do contrato vai ser medido pela métrica que a plataforma tem interesse em inflar.
Como montar a shortlist sem perder três semanas?
Comece por três a cinco nomes. Menos que três não dá parâmetro; mais que cinco transforma a escolha em um projeto de meses, e adiar a decisão também custa.
De onde tirar os nomes, em ordem de qualidade do sinal: indicação de outro dono de e-commerce que já passou pelo processo, referência de fornecedor que você já confia (plataforma, ERP, contador), conteúdo técnico publicado pela própria agência, e por último anúncio. Anúncio prova que a agência sabe comprar mídia para si mesma, o que é informação, mas não é o mesmo que operar bem a sua conta.
Antes de agendar reunião, aplique um corte grosso: fora do território (agência que nunca tocou e-commerce, se você é e-commerce) e fora do porte (você seria o maior ou o menor cliente da carteira, e os dois extremos criam problema). Esse corte leva uma tarde e economiza semanas.
Por que enviar o mesmo briefing para todas?
Porque sem isso você não compara fornecedores, compara interpretações diferentes do seu problema.
Um documento de uma página resolve. O que ele precisa ter: o que você vende e para quem, faturamento e verba atual de mídia, seu custo máximo de aquisição aceitável, o que já foi tentado e não funcionou, quem existe no seu time hoje, e qual decisão você quer estar tomando daqui a 6 meses. Se um desses campos você não sabe responder, vale resolver isso antes de falar com qualquer agência: proposta boa não compensa briefing vago.
O briefing igual também tem um efeito colateral útil. Ele revela quem leu. Agência que devolve uma apresentação genérica com o seu logo na capa respondeu ao formulário, não ao seu problema.
Por que pedir um plano em vez de uma proposta?
Proposta comercial mostra portfólio, credenciais e preço. Plano mostra raciocínio, que é a única coisa que você vai comprar de fato.
Peça um plano dos primeiros 90 dias: o que a agência faria nas duas primeiras semanas, qual é a hipótese dela sobre o seu gargalo, o que ela precisaria do seu lado para começar e o que mediria em cada mês. Quem opera esboça isso em uma página.
O que você está lendo nesse documento: se a hipótese é específica ou serviria para qualquer loja, se a agência pede acesso a dado ou aceita trabalhar no escuro, e se ela consegue dizer que algo do seu lado precisa mudar. Quem responde “nada, a gente cuida de tudo” está vendendo tranquilidade. Nenhuma agência conserta estrutura de e-commerce quebrada por você.
O que perguntar para um cliente atual da agência?
Peça o contato de um cliente atual e de um cliente que saiu. A segunda parte é o pedido que separa as candidatas, e a recusa em atender já é uma resposta.
Três perguntas rendem mais que qualquer outra. Como foi o terceiro mês, não o primeiro (o primeiro é sempre bom, o terceiro é quando o método aparece ou não). O que a agência fez quando o resultado caiu, porque cair acontece em toda conta e o que importa é a reação. E se ele contrataria de novo hoje, sabendo o que sabe.
Nem toda saída é culpa da agência, e o motivo real da separação (expectativa desalinhada, escopo insuficiente, mudança de momento do negócio) costuma ser mais instrutivo que qualquer case.
Como a Metris se declara nessa matriz?
Coerência exige responder as próprias perguntas. Na Metris, o modelo de cobrança e o investimento são definidos no diagnóstico, conforme o escopo e o momento da operação, a carga de contas por pessoa do time é dimensionada para que cada conta tenha acompanhamento de verdade, e as contas de anúncio, pixel e analytics ficam sempre no nome do cliente, com a gente como usuária.
E a parte que interessa mais: para quem a gente não serve. Operação que ainda testa se o produto tem demanda precisa de validação, não de agência, e mídia paga é o jeito mais caro de descobrir isso. Quem quer terceirizar a decisão, e não a execução, também vai se frustrar aqui, porque o modelo depende de alguém do lado do cliente ser dono do número. E quem precisa de resultado consolidado em 30 dias está pedindo algo que não existe: abaixo de 3 meses não dá para separar método de sazonalidade.
O que fica
Propostas de agência não chegam comparáveis. Ficam comparáveis quando você impõe a mesma régua a todas: as oito dimensões da tabela, o mesmo briefing escrito, um plano de 90 dias no lugar da apresentação e uma conversa com quem já é cliente.
A decisão final raramente é entre uma agência boa e uma ruim. É entre modelos diferentes de relação, e o modelo certo depende de onde está o seu gargalo hoje. Se a sua dúvida ainda é se o problema é de execução ou de decisão de negócio, a comparação anterior a esta é entre agência e assessoria, e ela muda a resposta de tudo o que veio aqui.
O que fica
- Propostas de agência não são comparáveis do jeito que chegam. Elas ficam comparáveis quando você reduz todas às mesmas oito dimensões.
- A pergunta mais reveladora de uma reunião comercial é quem opera a conta no dia a dia e quantas contas essa pessoa atende ao mesmo tempo.
- Conta de anúncio, pixel e analytics precisam estar no seu nome, com a agência como usuária. Resistência nesse ponto é retenção por refém, não detalhe técnico.
- Peça um plano dos primeiros 90 dias, não uma proposta comercial. Plano mostra raciocínio; proposta mostra portfólio.
- Envie o mesmo briefing escrito para todas as agências da shortlist. Sem isso você compara interpretações diferentes do seu problema, não fornecedores.
- Se a agência não consegue dizer para quem ela não serve, ela ainda não decidiu o que faz.
Perguntas frequentes
Como escolher uma agência de marketing de performance no Brasil?
Monte uma shortlist de três a cinco nomes, envie o mesmo briefing escrito para todas, peça um plano dos primeiros 90 dias em vez de uma proposta comercial e converse com pelo menos um cliente atual de cada uma. Depois compare as propostas por dimensão (cobrança, escopo, quem opera, senioridade, propriedade dos dados, relatório, saída e definição de sucesso), não pelo valor mensal.
O que perguntar para uma agência de performance antes de contratar?
Quem opera a minha conta no dia a dia e quantas contas essa pessoa atende. O que está fora do escopo. Em nome de quem ficam a conta de anúncio e o pixel. Qual a fonte de verdade do resultado. Como saio do contrato se não funcionar. E qual número precisa se mover para o contrato ser considerado bem-sucedido. Respostas evasivas nessas seis perguntas dizem mais que qualquer apresentação.
Existe um ranking confiável de agências de performance no Brasil?
Não de forma útil. A maior parte das listas é publicada por veículos com relação comercial com as agências listadas, ou pelas próprias agências, e nenhuma delas conhece a sua operação, a sua margem ou o seu momento. O critério de comparação vale mais que a lista, porque continua valendo quando os nomes mudam.
Vale a pena escolher a agência mais barata?
Só quando o escopo é idêntico, o que quase nunca acontece. Fee muito abaixo do mercado costuma significar menos horas dedicadas à sua conta e um profissional mais júnior dividindo o tempo entre muitos clientes. O custo real inclui fee, verba de mídia, ferramentas e o desperdício de uma operação mal conduzida, e a última parcela é a maior.
Quantas agências devo colocar na concorrência?
Três a cinco. Menos que três não dá parâmetro de comparação. Mais que cinco transforma a decisão em um projeto de meses, e o custo de adiar costuma superar o ganho de olhar mais uma proposta. O que melhora a decisão não é o número de candidatas, é a qualidade do briefing que você mandou para todas.
Equipe Metris
Estratégia, mídia, dados e conteúdo
O time da Metris, assessoria de marketing de performance com mais de 18 anos de experiência: estratégia, mídia paga, CRM, dados e CRO trabalhando juntos para fazer empresas venderem mais, com margem. Os textos saem das contas que a gente opera, e nenhum número entra sem origem.