Zuckerberg anunciou que até o fim de 2026 a Meta automatizará completamente a criação e segmentação de anúncios. O que os dados realmente mostram, e o que muda para quem anuncia.
O Que Zuckerberg Disse, Sem Filtro
Em maio de 2025, durante reunião com acionistas, Mark Zuckerberg descreveu para onde a Meta está levando sua plataforma de anúncios com uma clareza incomum para executivos de empresas públicas:
“We’re going to get to a point where you’re a business, you come to us, you tell us what your objective is, you connect to your bank account, you don’t need any creative, you don’t need any targeting demographic, you don’t need any measurement, except to be able to read the results that we spit out.”
A frase não é aspiracional, ela descreve um produto em construção. Em junho de 2025, o Wall Street Journal confirmou que a Meta está desenvolvendo um sistema para automatizar completamente criação de criativos, segmentação de público e distribuição de orçamento até o fim de 2026. A lógica do produto é direta: a empresa fornece uma imagem do produto e um orçamento; a IA faz o restante.
No dia da reportagem, ações de Omnicom caíram 4,3% e da Interpublic caíram 3%. O mercado interpretou o anúncio como sinal de que parte do trabalho que hoje passa por agências pode, progressivamente, passar diretamente pela plataforma.
O Que Já Mudou, Não é Mais Especulação
A automação completa é uma meta declarada para 2026, mas o processo de redução do controle manual já está em curso há meses:
Desde 31 de março de 2025, as exclusões de direcionamento detalhado foram removidas do Gerenciador de Anúncios. Desde 23 de junho de 2025, as opções de interesses foram consolidadas em grupos maiores, a granularidade que permitia segmentar por comportamentos e interesses específicos deixou de existir na forma que existia. Até 15 de janeiro de 2026, campanhas antigas com as opções de interesses afetadas deixaram de ser veiculadas.
Por trás dessas mudanças está o sistema Andrômeda, que processa bilhões de sinais por impressão em tempo real para decidir quem vê cada anúncio. A Meta investiu US$ 65 bilhões em infraestrutura de IA apenas em 2025. A arquitetura técnica para o que Zuckerberg descreveu já está sendo construída.
Os Números do Advantage+, e Onde Eles Divergem
O Advantage+, sistema de campanha automatizada da Meta, já é usado por 82% dos anunciantes em 2025. Os benchmarks divulgados pela própria plataforma são expressivos: 17% de redução média no custo por aquisição, 32% de aumento no ROAS em campanhas de Shopping, 28% de redução no CPC com Advantage+ Audience.
Dados de terceiros confirmam parte desse desempenho. A Triple Whale, analisando 55 mil marcas, encontrou ROAS de 4,25 no Advantage+ contra 3,78 em campanhas manuais, uma diferença real, mas menos dramática que os benchmarks da plataforma.
O contraponto mais relevante vem da Wicked Reports, que analisou 55.661 campanhas entre maio de 2024 e maio de 2025: o custo de aquisição de novos clientes no Advantage+ mais que dobrou no período, de US$ 257 para US$ 528 por cliente novo. A hipótese mais plausível é que o sistema otimiza para Last Click ROAS, o que melhora métricas de curto prazo mas degrada a aquisição real no médio prazo, especialmente em marcas que dependem de prospecção contínua.
A diferença entre os dados da plataforma e os dados de terceiros não é contradição, é o sinal mais importante para quem toma decisões de tráfego pago. ROAS dentro da plataforma e custo real de aquisição de cliente novo são métricas diferentes, e otimizar apenas pelo primeiro sem monitorar o segundo é um dos erros mais comuns em operações de mídia automatizada.
O Risco que os Dados Ainda Não Mostram
Há um cenário que nenhum benchmark cobre adequadamente ainda: o que acontece quando todos os anunciantes de um mesmo segmento usam a mesma IA gerando criativos com base nos mesmos sinais de plataforma?
A automação de criativo resolve o problema de escala, mais variações, mais testes, menos trabalho manual. Mas se os criativos gerados automaticamente convergem para os mesmos formatos, apelos e estruturas porque o algoritmo aprendeu o que “funciona”, o resultado é um leilão onde todos os anúncios se parecem. Em leilões assim, o preço sobe e a diferenciação cai.
Grandes anunciantes ainda relutam em ceder controle criativo total exatamente por esse motivo, e porque criativos gerados por IA ainda exigem revisão para garantir precisão de produto e consistência de marca.
O Que Muda para Quem Gerencia Campanhas
A narrativa de que “o gestor de tráfego vai acabar” simplifica um processo mais nuançado. O que está mudando é o perfil de competência que gera resultado dentro da plataforma.
Configurar públicos manualmente e otimizar lances táticos eram habilidades centrais quando o controle estava nas mãos do gestor. À medida que a plataforma absorve essas funções, o que diferencia uma operação eficiente é outra coisa: qualidade dos dados de primeira parte que alimentam o algoritmo via API de Conversão, capacidade de produzir criativos que a IA da plataforma consegue ampliar com consistência, e estrutura de mensuração independente, que não depende exclusivamente das métricas entregues pela própria Meta para avaliar resultado real.
Para operações de e-commerce e negócios com ciclo de aquisição mais longo, uma assessoria de marketing orientada a dados precisa trabalhar com essa camada de mensuração própria, porque a plataforma vai continuar otimizando para as métricas que ela consegue medir, que nem sempre são as que importam para o negócio.
Para quem pensa em growth marketing como estratégia de crescimento sustentável, a automação da Meta é uma ferramenta, não uma estratégia. Ela amplifica o que já está funcionando. Sem clareza sobre o que a marca quer comunicar, para quem e em qual etapa do funil, a IA da plataforma não tem insumo suficiente para fazer escolhas boas.
A Meta está construindo um produto que promete reduzir o atrito de anunciar, especialmente para pequenas empresas que hoje não têm estrutura para gerenciar campanhas com profundidade. Para operações mais sofisticadas, a automação não elimina a necessidade de estratégia: ela aumenta o custo de não ter uma.
Se você quer entender como estruturar sua operação de mídia no Meta para esse novo cenário, com mensuração independente e criativos que funcionam com ou sem automação total, fale com a Metris.

