Fazer meu diagnóstico
Mão digitando numa calculadora sobre uma planilha impressa, diante de um notebook com um gráfico de duas linhas, à noite

ROAS caiu quando dobrei a verba: estou perdendo dinheiro?

9 min de leitura
Cristiano Creczyenski
Resposta direta

Não necessariamente. Quando a verba sobe, o ROAS tende a cair, porque a campanha passa a alcançar quem conhece menos a marca. Você só perde dinheiro se o retorno do real adicional ficar abaixo do ponto de equilíbrio da sua margem. Faça a conta do lucro em reais, não do ROAS, e suba a verba aos poucos, cerca de 20% por semana, enquanto o retorno se sustenta.

“Dobrei a verba e o ROAS caiu pela metade. Mídia não escala.” A gente ouviu essa conclusão em várias reuniões comerciais deste ano, quase sempre de donos de loja que testaram aumentar o investimento por um mês, viram o número do painel piorar e voltaram para a verba antiga.

Na maior parte das vezes, ninguém fez a conta que decide a questão: quanto sobrou em reais depois de pagar a mídia. O ROAS é uma razão. Ele pode cair enquanto o lucro sobe, e pode subir enquanto a loja encolhe. Este texto mostra por que o retorno cai ao escalar, como calcular se a queda custou dinheiro e como a gente sobe a verba sem depender de sorte.

Por que o ROAS cai quando a verba sobe?

Porque a verba nova não compra o mesmo cliente que a verba antiga comprava.

Com pouca verba, a plataforma entrega o anúncio para quem está mais perto de comprar: quem já visitou a loja, quem pesquisou o produto pelo nome, quem tem perfil muito parecido com os compradores. É o público mais barato de converter. Quando a verba dobra, esse grupo já foi atendido. O dinheiro extra vai para gente que conhece menos a marca, precisa de mais contato e compra numa proporção menor.

O resultado é previsível: o retorno médio cai. Não é defeito da campanha nem prova de que o canal esgotou. É o custo de sair do público mais quente. A pergunta deixa de ser “o ROAS caiu?” e passa a ser “o dinheiro novo pagou a si mesmo?”.

Há um segundo efeito, mais curto. Uma mudança grande de orçamento devolve a campanha à fase de aprendizado, e por alguns dias ela entrega pior. Quem dobra a verba de uma vez vê os dois efeitos juntos e não consegue separar um do outro. Os detalhes da fase de aprendizado estão em como escalar campanha sem quebrar o aprendizado.

Como saber se estou perdendo dinheiro?

Troque o ROAS pelo lucro em reais. A conta tem três passos:

  1. Pegue a venda aprovada do período, não a venda do painel. Pedido cancelado e boleto não pago inflam o número (o porquê está em faturamento menor que o painel).
  2. Multiplique pela margem de contribuição antes da mídia: o que sobra de cada venda depois de produto, frete, embalagem, taxa de pagamento e imposto.
  3. Subtraia o que gastou em anúncio. O que sobra é o que a mídia deixou para pagar os custos fixos e virar lucro.

Faça a conta antes e depois do aumento. Se o valor em reais subiu, a escala funcionou, por mais que o ROAS tenha caído.

Um exemplo hipotético, de uma loja com 40% de margem de contribuição antes da mídia:

CenárioVerbaROASVendaMargem (40%)Sobra depois da mídia
AntesR$ 10 mil5R$ 50 milR$ 20 milR$ 10 mil
Dobrou, ROAS 4R$ 20 mil4R$ 80 milR$ 32 milR$ 12 mil
Dobrou, ROAS 3R$ 20 mil3R$ 60 milR$ 24 milR$ 4 mil

No segundo cenário, o ROAS caiu 20% e a loja ganhou R$ 2 mil a mais por mês, além de 60% mais venda e clientes novos na base. No terceiro, o ROAS caiu 40% e a loja perdeu R$ 6 mil de sobra. Os dois começaram com “o ROAS caiu”. Só a conta em reais separa um do outro.

Qual é o ponto de equilíbrio do ROAS?

É o ROAS em que a margem da venda paga exatamente o anúncio, sem sobra nem prejuízo. A conta é 1 dividido pela margem de contribuição antes da mídia:

Margem antes da mídiaROAS de equilíbrio
50%2,0
40%2,5
30%3,3
25%4,0
20%5,0

Esse número muda tudo na leitura. Um ROAS 3 é ótimo para quem tem 50% de margem e é prejuízo para quem tem 25%. Por isso comparar o seu ROAS com o de outra loja, ou com uma “média do mercado”, não diz nada. A margem é sua. Como calcular a margem por produto está em margem de contribuição no e-commerce.

O que é o retorno do real adicional e por que ele importa mais que a média?

Quando você aumenta a verba, o ROAS da conta inteira é uma média entre o dinheiro antigo (que já rendia bem) e o dinheiro novo (que rende menos). A média esconde quanto o dinheiro novo trouxe sozinho.

No exemplo da tabela, o cenário de ROAS 4 trouxe R$ 30 mil a mais de venda com R$ 10 mil a mais de verba. O real adicional rendeu 3. Como o equilíbrio da loja é 2,5, ele se pagou e deixou sobra. No cenário de ROAS 3, os R$ 10 mil a mais trouxeram só R$ 10 mil de venda: o real adicional rendeu 1, muito abaixo do equilíbrio.

A regra prática:

  • Retorno do real adicional acima do equilíbrio: a escala está gerando lucro. Pode seguir.
  • Perto do equilíbrio: a escala empata. Só vale se você conta com a recompra desses clientes novos.
  • Abaixo do equilíbrio: cada real a mais tira dinheiro do caixa. Pare de subir.

Esse é o dado que falta na maior parte das reuniões em que ouvimos “mídia não escala”. A média caiu, mas ninguém olhou o degrau.

Como subir a verba sem perder o controle?

O método que a gente usa é subir cerca de 20% por semana, enquanto o retorno se sustenta. Não é um número mágico; é um degrau pequeno o bastante para a campanha não desandar e grande o bastante para a verba andar. Partindo de R$ 10 mil por mês, quatro semanas seguidas de 20% chegam perto de R$ 20,7 mil, com quatro leituras no caminho em vez de uma aposta.

Em cada degrau:

  1. Espere a semana fechar. Os primeiros dias depois de mexer no orçamento costumam ser piores. Decidir no segundo dia é decidir sobre ruído.
  2. Calcule o retorno do real adicional daquela semana contra a semana anterior.
  3. Acima do equilíbrio, suba de novo. Perto dele, segure uma semana. Abaixo e sem recuperar, volte ao degrau anterior.
  4. Confira se a operação acompanha: estoque do produto que mais vende, prazo de entrega, atendimento. Escala que esgota o campeão de vendas no meio da semana derruba o ROAS por um motivo que não é mídia.

O percentual é ponto de partida. Conta com pouca conversão por semana pede degraus menores; conta com muito volume aguenta mais. O que não muda é a lógica: um degrau, uma leitura, uma decisão.

E quando o ROAS cai e não volta?

Se o retorno do real adicional fica abaixo do equilíbrio por duas ou três semanas seguidas, o limite deixou de ser a verba. Normalmente é um destes:

SinalO que costuma estar por trásOnde mexer
Clique barato, pouca compraOferta fraca para quem não conhece a marcaProduto de entrada, frete, prova de confiança
Custo por clique subindo fortePúblico pequeno, a campanha está saturandoNovos públicos, novos criativos, outro canal
Frequência alta no MetaAs mesmas pessoas vendo o mesmo anúncioRenovar criativo antes de subir verba
Venda concentrada em um produtoO campeão sustenta a conta sozinhoAmpliar o mix anunciado
Queda só no Google de marcaVocê está pagando por quem já viriaSeparar marca de não marca na leitura

Quando a oferta é o gargalo, mais verba só leva mais gente para uma loja que não converte. O diagnóstico do lado da oferta está em tráfego pago que não converte.

O ROAS caiu, mas vale a pena pela recompra?

Às vezes, sim. Um cliente novo comprado no empate pode pagar a conta no segundo pedido. Mas essa decisão precisa de dois números que muita loja não tem: a taxa de recompra real e o tempo até o segundo pedido.

Se você sabe que boa parte dos clientes volta dentro de alguns meses, aceitar um retorno perto do equilíbrio na primeira compra é uma escolha consciente. Se não sabe, está apostando com o caixa. A gente só usa esse argumento com a recompra medida na base da própria loja. O cálculo está em LTV no e-commerce.

Quanto tempo leva para saber se a escala deu certo?

O degrau se lê em uma semana. O resultado da escala, em 3 meses. Abaixo disso não dá para separar o que veio de método do que veio de sazonalidade: um mês de escala que coincide com uma data forte parece genial, e um que coincide com um mês fraco parece desastre.

É essa régua que faz o método funcionar no tempo: degrau por degrau, com a conta do lucro feita a cada semana e a avaliação no trimestre. É o mesmo método que a gente aplica nas contas que acompanhamos, e pelo menos 5 clientes que começaram do zero hoje faturam mais de R$ 1 milhão por mês com ele.

Para quem este texto não serve?

Para quem ainda não sabe a margem de contribuição dos produtos que anuncia. Sem ela, não existe ponto de equilíbrio, e toda a conta acima vira chute. Comece por ela.

Para quem tem o rastreamento quebrado: compra que não dispara, que dispara duas vezes ou que mistura pedido cancelado. Aí o ROAS do painel não representa a venda, e a queda pode ser de medição.

E para quem tem verba tão pequena que a campanha não junta conversões suficientes por semana. Nesse caso, cada degrau é estatisticamente ruído, e a prioridade é concentrar a verba, não espalhar.

O que fica

ROAS cair quando a verba sobe é o esperado, não o alarme. O alarme é o lucro em reais cair. Para saber qual dos dois está acontecendo, multiplique a venda aprovada pela margem antes da mídia, subtraia o anúncio e compare antes e depois.

O ponto de equilíbrio é 1 dividido pela sua margem. O que decide se a escala vale é o retorno do real adicional contra esse ponto, não a média da conta. Suba a verba aos poucos, cerca de 20% por semana, leia cada degrau com a semana fechada e pare quando o dinheiro novo deixar de se pagar. Aí o problema deixou de ser verba e passou a ser oferta.

O que fica

  • ROAS menor com verba maior é o comportamento normal da mídia: os primeiros reais vão para quem já estava perto de comprar.
  • A pergunta certa não é se o ROAS caiu, é se o lucro em reais subiu depois de pagar a mídia.
  • O ponto de equilíbrio sai da margem de contribuição: com 40% de margem antes da mídia, cada real investido precisa trazer pelo menos R$ 2,50 em venda.
  • O que importa na escala é o retorno do real adicional, não a média da conta inteira.
  • Subir a verba cerca de 20% por semana deixa você ver o retorno de cada degrau antes de dar o próximo.
  • Dobrar a verba de uma vez mistura o efeito da escala com o efeito da campanha reaprendendo, e aí ninguém sabe o que causou a queda.

Perguntas frequentes

É normal o ROAS cair quando aumento o investimento?

É. Com mais verba, a campanha sai do público mais quente e passa a falar com quem conhece menos a marca, que precisa de mais visitas para comprar. O retorno por real cai. Isso só vira problema quando o real adicional deixa de pagar a si mesmo com a margem que você tem.

Como saber se estou tendo lucro com o ROAS mais baixo?

Multiplique a venda pela margem de contribuição antes da mídia e subtraia o que gastou em anúncio. Compare esse valor em reais antes e depois do aumento. Se ficou maior, a escala valeu, mesmo com ROAS menor.

Qual o ROAS mínimo para não ter prejuízo?

É 1 dividido pela sua margem de contribuição antes da mídia. Com margem de 40%, o mínimo é 2,5; com 25%, é 4. Abaixo disso, cada real em anúncio custa mais do que a venda deixa.

Quanto posso aumentar a verba por vez?

O método que a gente usa parte de cerca de 20% por semana, enquanto o retorno se sustenta. Se o retorno do degrau ficar acima do ponto de equilíbrio, sobe de novo. Se cair abaixo e não voltar em alguns dias, segura a verba e olha a oferta.

Cristiano Creczyenski

Cristiano Creczyenski

Fundador e CEO da Metris

CEO da Metris, ajuda empreendedores a crescer com estratégia, marketing de performance, CRM e IA. Trabalha com e-commerce e marketing digital desde 2008 e já atuou com marcas como Lojas Colombo, Fila, Umbro, Melissa, Coza, Continental Ferramentas, Vinhos Collection e Pizzato.

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