A Netflix saiu de “nunca teremos anúncios” para 190 milhões de usuários no plano com ads e meta de US$ 3 bilhões em receita publicitária para 2026. O que isso significa para quem compra mídia.
A Reviravolta Que Redefiniu uma Empresa
Reed Hastings passou anos repetindo a mesma posição em conferências e entrevistas: a Netflix nunca teria anúncios. Era um diferencial tratado como valor fundamental, parte do argumento de por que o modelo de assinatura valia mais do que a TV tradicional.
Em abril de 2022, a Netflix divulgou que havia perdido assinantes pela primeira vez em mais de uma década. A ação despencou. Em julho do mesmo ano, a empresa anunciou parceria com a Microsoft para construir sua infraestrutura de publicidade. Em novembro, o plano com anúncios estava no ar.
O que aconteceu nos três anos seguintes é o que interessa para quem toma decisões de mídia.
A Curva de Adoção em Números
A velocidade com que o plano com anúncios foi absorvido pelos assinantes é o dado mais relevante para entender o tamanho do canal que está se formando:
- Novembro de 2023 (primeiro aniversário): 15 milhões de usuários ativos mensais
- Maio de 2024: 40 milhões
- Maio de 2025: 94 milhões
- Q4 2025: 190 milhões de usuários ativos mensais no plano com ads
A receita publicitária em 2025 ultrapassou US$ 1,5 bilhão, crescimento de 2,5x em relação a 2024. A meta declarada pelo co-CEO Greg Peters para 2026 é dobrar novamente, chegando a US$ 3 bilhões.
Para colocar em perspectiva: o YouTube gera cerca de US$ 35 bilhões por ano em publicidade. A Netflix existe há três anos no mercado de ads e já movimenta o suficiente para justificar uma briga direta por verbas de TV linear e streaming.
O Que Diferencia Este Canal de Qualquer Outro
Para profissionais de tráfego pago e planejamento de mídia, o Netflix Ads tem características que o separam de outros canais disponíveis no mercado:
Contexto de consumo. O usuário do plano com ads está na TV, assistindo conteúdo premium com atenção concentrada. É um estado de consumo diferente do scroll em feed social ou da busca ativa no Google. O anúncio não compete com outros estímulos simultâneos.
Formato não pulável. Anúncios de 15 a 30 segundos com 100% de exposição garantida, algo que plataformas digitais tradicionais raramente conseguem entregar em escala.
First-party data real. A Netflix sabe o que cada usuário assiste, por quanto tempo, quantas vezes pausou, se terminou uma série. Nenhuma mídia tradicional tem esse nível de dado sobre comportamento de consumo de conteúdo, e a Netflix Ads Suite, lançada em junho de 2025 após o rompimento com a Microsoft, usa esse dado para segmentação avançada cruzada com fontes externas como Experian e Acxiom.
CPM em queda. No lançamento em 2022, os CPMs nos EUA giravam em torno de US$ 60-65, semelhante ao posicionamento premium do ChatGPT Ads. Em 2025, os valores estão se aproximando dos padrões de CTV, tornando o canal progressivamente mais acessível.
O Que Ainda Não Está Resolvido
O canal tem tração real, mas existem questões em aberto que afetam a decisão de investimento.
O ARPU (receita por usuário) do plano com ads ainda é menor do que o dos planos sem anúncios, e a própria Netflix reconhece que fechar esse gap é o principal desafio operacional do negócio publicitário. Isso significa que há pressão para aumentar o volume de anúncios por hora, o que coloca em tensão a tolerância do assinante.
A concorrência em CTV está crescendo: Amazon Prime Video, Disney+ e Max também operam planos com anúncios em escala relevante. O inventário de streaming premium está se expandindo, o que tende a pressionar CPMs para baixo, bom para anunciantes, mais complexo para a estratégia de monetização da Netflix.
No Brasil, a negociação de inventário ainda passa pela Microsoft Advertising e parceiros oficiais, com segmentação por gênero de conteúdo, dispositivo e dados demográficos. A maturidade do mercado local é menor que nos EUA, mas a base de usuários no plano com ads é suficiente para campanhas de alcance nacional com targeting.
Por Que Isso Entra no Radar de Quem Faz Performance
A inserção do Netflix Ads no mix de mídia não é necessariamente uma substituição de canal, é uma camada adicional com função específica. Para marcas que trabalham com growth marketing e pensam em funil completo, o streaming premium tem papel de construção de demanda e reforço de marca para públicos que o Google e o Meta alcançam com menos contexto e menos atenção.
Para operações de e-commerce com ticket médio mais alto ou ciclo de decisão mais longo, o contexto de consumo da Netflix pode ser mais adequado à etapa de consideração do que um anúncio em feed. A questão é sempre a mesma: qual o custo por resultado real, considerando a qualidade da atenção capturada, e esse dado ainda está sendo construído pelo mercado.
O que está claro é que o canal saiu da fase experimental. Com 190 milhões de usuários ativos no plano com ads e tecnologia proprietária em operação, a Netflix Ads é uma mídia com escala, dado e estrutura, não uma aposta de nicho.
Se você quer avaliar se o Netflix Ads faz sentido dentro da sua estratégia de mídia, e como ele se encaixa com os canais que você já opera, fale com a Metris.

