Fazer meu diagnóstico
Arte da frente E-commerce

CRO para e-commerce: vender mais com o mesmo tráfego

4 min de leitura
Equipe Metris
Equipe Metris
Resposta direta

CRO para e-commerce é aumentar a receita sem aumentar a verba, melhorando a taxa de conversão do tráfego que já chega. O método é sempre o mesmo: encontrar onde as pessoas desistem, formular uma hipótese sobre o motivo, mudar uma coisa e medir. O erro mais comum é começar pela cor do botão em vez de começar pelo funil. O dinheiro grande está em frete, prazo, busca interna e checkout.

CRO é o único trabalho de marketing que melhora o resultado sem pedir mais dinheiro. Um ponto percentual a mais de conversão vale para todo o tráfego que chega, o pago e o orgânico, hoje e nos próximos meses. É por isso que ele costuma render mais que aumentar verba, e é por isso que quase toda operação deveria olhar para ele antes de escalar mídia.

O problema é que a maior parte do que se chama de CRO por aí é palpite sobre botão.

Por onde começar: pelo funil ou pela página?

Antes de mudar qualquer coisa, monte esta sequência com números do último mês:

EtapaPessoasQueda até a próxima
Visitas
Viram página de produto
Adicionaram ao carrinho
Iniciaram o checkout
Concluíram o pedido

A maior queda percentual é onde começar. Não a etapa que mais te incomoda: a que mais perde gente.

Na maioria das lojas que a gente abre, a maior queda está entre carrinho e checkout. E a causa quase sempre é a mesma: frete e prazo só aparecem depois que a pessoa já se comprometeu. Ela chega lá, vê um valor que não esperava, e sai.

Como priorizar o que testar primeiro?

Com o funil na mão, a fila de trabalho se organiza sozinha. Duas perguntas por ideia: quanta gente passa por essa etapa e quanto trabalho dá mudar.

Melhorar 2% numa etapa por onde todo mundo passa vale mais do que melhorar 30% numa página que recebe pouca visita. É uma conta simples e quase ninguém faz. O instinto é ir na página que parece mais feia, não na que perde mais dinheiro.

De onde tirar hipótese sem contratar ninguém?

Gravação de sessão. Assista a vinte sessões de pessoas que abandonaram o carrinho. Não é estatística, é qualitativo. Serve para gerar hipótese, não para provar. Meia hora disso costuma render mais ideia do que uma semana de leitura sobre CRO.

O que o atendimento responde todo dia. Se três pessoas por dia perguntam se o produto é original, se serve para determinado uso, ou quanto tempo demora a entrega, essa informação está faltando na página. Cada pergunta repetida é um item de checklist.

Essas duas fontes são gratuitas e quase nunca usadas.

Onde estão os maiores ganhos de conversão?

Sem inventar prioridade: nas lojas D2C que a gente acompanha, os pontos que mais mudam número são estes, mais ou menos nesta ordem.

Frete e prazo visíveis cedo. Calculadora na página do produto e regra de frete grátis dita antes do carrinho. É a mudança com melhor relação entre impacto e esforço em e-commerce.

Velocidade no celular. Testada no 4G, não no Wi-Fi do escritório. Cada segundo a mais custa gente que nunca vai aparecer em relatório nenhum, porque saiu antes de a página existir.

Checkout com menos campos. Cada campo é uma chance de desistência. Pergunte o que você precisa para entregar, não o que seria bom ter no CRM.

Prova social real. Avaliação com foto, com nome, com resposta da loja quando houve problema. Selo genérico não convence mais ninguém.

Busca interna que funciona. Quem usa a busca interna tem intenção de compra muito mais alta. Se a busca não entende erro de digitação ou sinônimo, você está perdendo justamente quem já decidiu.

Todas essas mudanças dependem de a estrutura da loja estar de pé. CRO em cima de plataforma instável ou medição quebrada é medir ruído com régua.

Como medir o resultado sem se enganar?

Uma mudança por vez, ou você não vai saber o que funcionou. Parece óbvio e é o erro mais comum: sobem cinco melhorias juntas, a conversão sobe, e ninguém sabe qual delas repetir.

Se você tem volume para teste A/B, use. Se não tem (e a maior parte das lojas brasileiras não tem), o caminho é comparar por coorte mensal, mudando uma coisa relevante por mês e olhando a conversão por origem e por dispositivo. Menos elegante, e infinitamente melhor que decidir por opinião.

Uma ressalva importante: conversão que sobe com receita estável não é vitória. Se você aumentou a conversão dando desconto, o número melhorou e a margem piorou. Olhe sempre os dois juntos.

O que não é CRO

Trocar a cor do botão sem hipótese por trás. Copiar o layout de um concorrente sem saber se o dele converte. Encher a página de selo e urgência falsa, que sobe conversão no curto prazo e derruba confiança e recompra, que é onde o valor de longo prazo do cliente mora.

CRO é método: encontrar onde se perde, formular por que se perde, mudar uma coisa, medir. O resto é decoração.

O que fazer na segunda-feira

Monte a tabela do funil com os números do último mês e identifique a maior queda percentual. Isso leva uma hora e define a sua fila dos próximos meses.

Assista a vinte gravações de sessão de quem abandonou o carrinho.

E pergunte ao atendimento quais são as três perguntas que mais se repetem. As respostas precisam estar na página, não no WhatsApp.

O que fica

  • CRO é o único trabalho de marketing que melhora o resultado sem pedir mais verba. Cada ponto de conversão vale para todo o tráfego, pago e orgânico.
  • Comece pelo funil, não pelo botão. O maior vazamento costuma estar entre carrinho e checkout, onde frete e prazo aparecem tarde demais.
  • Priorize por impacto sobre esforço, e sempre sobre a etapa com mais gente passando. Melhorar 2% em uma etapa por onde todos passam vale mais que 30% numa página que quase ninguém vê.
  • Sem volume para significância, teste A/B não produz dado: produz ruído com aparência de dado. Nesse caso, mude o que se sabe que funciona e meça por coorte mensal.
  • Grave sessões e leia o que o atendimento responde todo dia. As duas fontes mais baratas de hipótese estão dentro de casa e quase ninguém usa.

Perguntas frequentes

O que é CRO em e-commerce?

CRO, ou otimização da taxa de conversão, é o trabalho de aumentar a proporção de visitantes que compram. Em e-commerce isso significa reduzir a fricção ao longo do caminho, da página de produto até a confirmação do pedido. É o único trabalho de marketing cujo ganho se aplica a todo o tráfego ao mesmo tempo, sem aumentar investimento em mídia.

Qual é uma boa taxa de conversão para e-commerce?

Não existe um número universal: a taxa varia muito por segmento, por ticket médio e por composição de tráfego. Loja com muito tráfego de descoberta converte menos que loja com tráfego de marca, sem que isso signifique que uma seja pior. O benchmark que importa é o seu próprio histórico, segmentado por origem e por dispositivo. Comparar-se com a média do mercado costuma levar à conclusão errada.

Por onde começar a otimizar a conversão?

Pelo funil, não pela página. Monte a sequência visita, produto, carrinho, checkout e pedido, e calcule a queda percentual entre cada etapa. A maior queda é onde começar. Na maioria das lojas ela está entre carrinho e checkout, e a causa quase sempre é frete ou prazo aparecendo tarde demais.

Dá para fazer CRO sem volume para teste A/B?

Dá, com outro método. Abaixo de algumas centenas de conversões por variação um teste A/B não gera resultado confiável. Nesse cenário, aplique mudanças de impacto conhecido (velocidade, clareza de frete, prova social real, redução de campos no checkout) e meça por coorte mensal em vez de comparação simultânea. É menos elegante e continua sendo melhor que decidir por opinião.

Equipe Metris

Equipe Metris

Estratégia, mídia, dados e conteúdo

O time da Metris, assessoria de marketing de performance com mais de 18 anos de experiência: estratégia, mídia paga, CRM, dados e CRO trabalhando juntos para fazer empresas venderem mais, com margem. Os textos saem das contas que a gente opera, e nenhum número entra sem origem.

Continue em E-commerce

Ver a frente inteira →
E-commerce

Abandono de carrinho: as 7 causas reais

As sete causas reais de abandono de carrinho, o que fazer em cada uma e qual parte do abandono não dá para recuperar com desconto nenhum.

Leia mais
E-commerce

Calendário comercial: as datas que valem a verba

Como escolher em quais datas do calendário comercial entrar, quando começar a aquecer a base, quando subir verba e por que a Black Friday se decide em agosto.

Leia mais
E-commerce

Time de e-commerce: quem faz o quê em cada porte

Quem contratar primeiro, segundo e terceiro em um e-commerce D2C. A ordem das funções por porte de operação e o que compensa terceirizar em cada fase.

Leia mais