Metris

Mercado Livre Cresce 45%, Lucro Cai 12%, e a Empresa Acelera os Investimentos

No Q4 2025, o Mercado Livre bateu recordes de receita mas decepcionou no lucro. As ações caíram 6%. E a […]

No Q4 2025, o Mercado Livre bateu recordes de receita mas decepcionou no lucro. As ações caíram 6%. E a empresa anunciou R$ 580 milhões em novos centros de distribuição. Entenda a estratégia, e o que ela significa para quem vende e anuncia na plataforma.

Receita Recorde, Lucro Abaixo, e Ações em Queda. O Que Está Acontecendo

Em 24 de fevereiro de 2026, o Mercado Livre divulgou seus resultados do quarto trimestre de 2025: receita de US$ 8,8 bilhões, crescimento de 45% em relação ao mesmo período do ano anterior, acima dos US$ 8,5 bilhões estimados por analistas. Até aí, o resultado seria celebrado sem ressalvas.

O problema foi o lucro: US$ 559 milhões, queda de 12,5% em relação ao Q4 2024, abaixo dos US$ 587 milhões projetados. A margem EBIT saiu de 13,5% para 10,1%. As ações caíram mais de 6% no after market.

A explicação veio do próprio VP de relações com investidores, Leandro Cuccioli: a compressão de margem foi resultado de uma decisão deliberada de elevar investimentos com foco no longo prazo. Não é um diagnóstico de crise, é uma descrição de estratégia. E os movimentos que a empresa vem fazendo nos últimos meses deixam claro o que essa estratégia implica na prática.

R$ 580 Milhões em Dois Meses, Só em Logística

Em março de 2026, o Mercado Livre anunciou dois novos centros de distribuição em sequência. O primeiro, em Jacareí (SP): 300 mil m² de área total, R$ 500 milhões de investimento, previsão de 5 mil empregos e conclusão prevista para 2027. O segundo, em Criciúma (SC): R$ 80 milhões, 60 mil m², maior centro entre Florianópolis e Porto Alegre.

Esses dois anúncios somam R$ 580 milhões, e vieram depois de um 2025 em que a empresa já havia investido R$ 34 bilhões no Brasil, crescimento de 47,8% em relação a 2024 e recorde histórico de aporte no país.

A lógica por trás dessa movimentação é conhecida de quem acompanhou a trajetória da Amazon nos anos 2000: sacrificar margem no curto prazo para construir a infraestrutura que cria barreiras competitivas no médio e longo prazo. Quem controla a logística de última milha em escala, controla a experiência do consumidor, e, por consequência, a preferência de compra.

Para quem opera e-commerce no Brasil, essa expansão de infraestrutura tem implicação direta: o Mercado Livre está aumentando sua capacidade de entrega com mais rapidez e menor custo para o consumidor final, incluindo a extensão do frete grátis para compras a partir de R$ 19.

Mercado Ads: O Canal Que Cresce Mais Rápido

Menos comentado nos resultados financeiros, mas com implicação direta para estratégias de tráfego pago dentro do marketplace: a receita de anúncios do Mercado Livre cresceu 56% no Q3 2025 em relação ao mesmo período de 2024. A receita de Display e Vídeo dobrou no mesmo período.

O Mercado Ads já está entre os três maiores players de mídia digital do Brasil. Isso significa que campanhas de produto dentro da plataforma competem com mídia social e busca paga por uma fatia crescente do budget de marketing digital, e com uma vantagem específica: o usuário que está dentro do Mercado Livre já está em modo de compra. O contexto de intenção é diferente de um feed de redes sociais.

Para operações de growth commerce que vendem dentro do marketplace, ignorar o Mercado Ads como canal de performance é cada vez mais difícil de justificar, especialmente quando a plataforma tem escala de dados sobre comportamento de compra que nenhuma outra mídia consegue replicar.

Mercado Pago: A Camada Financeira que Reforça o Ecossistema

Os números do Mercado Pago em 2025 reforçam a leitura de que o Mercado Livre não é mais apenas um marketplace, é um ecossistema financeiro e logístico integrado:

  • Volume total de pagamentos: US$ 83,7 bilhões (+42%)
  • Carteira de crédito: US$ 12,5 bilhões (+90%)
  • Ativos sob gestão: US$ 18,8 bilhões, saíram de US$ 2 bilhões para quase US$ 19 bilhões em três anos
  • Usuários ativos mensais: quase 78 milhões (+27%)

Essa camada financeira tem relevância para o varejo digital além dos números em si. Crédito disponível dentro do ecossistema reduz fricção na finalização de compras, especialmente para consumidores sem acesso facilitado a crédito bancário tradicional. É um argumento de conversão que afeta diretamente quem vende na plataforma.

O Que os Riscos Indicam

A margem bruta caiu de 52,7% para 43,3% no período mais recente. Parte dessa pressão vem dos investimentos em frete grátis e expansão logística. Outra parte reflete a concorrência crescente de plataformas asiáticas, Shopee e Temu, que competem agressivamente por preço e vêm ganhando participação em categorias específicas.

A inadimplência do Mercado Pago está estável em 6,8%, mas qualquer aumento nesse indicador tende a pressionar resultados em um momento em que a carteira de crédito está crescendo 90% ao ano.

Para investidores, um P/L de 60x não tem margem para surpresas negativas consecutivas. Para quem opera dentro da plataforma como vendedor ou anunciante, o sinal relevante é diferente: a empresa está disposta a comprimir margem para crescer participação. Isso significa mais investimento em logística, mais cobertura de frete, mais alcance, fatores que favorecem a experiência do consumidor e, por extensão, a conversão de quem vende dentro do ecossistema.

O Mercado Livre está executando um movimento que poucas empresas têm capital e apetite para fazer: aceitar pressão de curto prazo no lucro para construir posição de longo prazo em infraestrutura. Para empresas que dependem do marketplace como canal de vendas, essa estratégia tem implicações práticas que valem ser monitoradas, tanto nas condições de logística quanto nas ferramentas de mídia disponíveis na plataforma.


Se você quer estruturar sua operação dentro do Mercado Livre, ou avaliar como o marketplace se encaixa na sua estratégia de e-commerce e mídia paga, fale com a Metris.

Rolar para cima